Coletiva de ideias e recortes

Exposições dos artistas Angelo Issa e Miguel Gontijo inauguram temporada no Cine Theatro Brasil Vallourec

iG Minas Gerais | Carlos Andrei Siquara |

Questionamento. Pinturas de Angelo Isso buscam refletir sobre as instituições brasileiras
Juninho Mota
Questionamento. Pinturas de Angelo Isso buscam refletir sobre as instituições brasileiras

Os artistas Angelo Issa e Miguel Gontijo ocupam o Cine Theatro Brasil Vallourec com as exposições “Sentido Obrigatório” e “Bibliotheca”, respectivamente. Abertas ao público a partir de amanhã, as duas inauguram a temporada de artes plásticas do centro cultural, abarcando não apenas diferentes ideias, mas também linguagens e materiais.

Issa, por exemplo, apresenta oito pinturas concebidas de 2012 até o presente. De acordo com ele, motivou essa safra recente de trabalhos o incômodo com algumas decisões tomadas pelo Estado, especialmente em razão do caráter de obrigatoriedade ou proibitivo.

“Eu acredito que a imposição de algumas regras é algo que precisa ser repensado. No Brasil, o voto é obrigatório. Embora isso represente um exercício importante de cidadania, nós também poderíamos ter o direito de escolher”, opina Miguel Gontijo. “Apesar de vivermos em um país que se diz democrático, ainda percebemos vários traços de autoritarismo no cotidiano. A maneira como se vem, por exemplo, tentando frear as manifestações é um reflexo disso”, acrescenta o artista.

As cenas vistas nas telas apontam justamente para situações que Gontijo avalia ter uma ligação direta com essa realidade. “Algumas dessas imagens são inspiradas em outras que circularam por jornais e revistas, mas depois adaptadas por mim. Já outras são frutos da minha própria imaginação”, explica o pintor.

Já Miguel Gontijo exibe desenhos, assemblages, objetos, pinturas, e livros de artista. Ao reunir obras criadas desde 1964, o artista observa que o projeto desenha uma oportunidade interessante de se revisitar sua trajetória artística.

“Há um recorte de todo o meu trabalho, mas de forma alguma eu entendo essa mostra como uma retrospectiva”, pontua Gontijo. O artista ressalta nessa exposição um caderno de desenho produzido quando ainda era pré-adolescente, mas até então guardado em um armário e retirado de lá recentemente.

“Eles foram produzidos há 50 anos e alguns eu reelaborei no presente. Achei interessante que ali eu consigo perceber uma linguagem que é muito interessante, embora eu tenha feito ainda muito novo”, observa.

Da década de 1980 são algumas assemblagens que Gontijo afirma ter retomado o interessa por elas no presente. “Quando comecei afazer esses trabalhos, na década de 1980, eu não acreditei muito naquilo. Hoje eu já me volto a essas peças com uma outra perspectiva”, afirma.

Um dos aspectos ressaltados por ele em relação ao conjunto é o tom memorialista. “Eu me vejo como um colecionador da minha própria história”, diz.

Agenda O quê. Abertura de mostras deAngelo Issa e Miguel Gontijo

Quando. Amanhã, às 13h; até 11/5; de 3ª a sáb., das 13h às 21; dom., das 14h às 20h.

Onde. Cine Theatro Brasil (rua dos Carijós, 258, centro)

Quanto. Entrada franca

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