Um tributo mineiro ao legado de Kurt Cobain Mixtape

Bandas de BH gravam versões de clássicos do Nirvana para especial do Concha

iG Minas Gerais | Lucas Buzatti |

Homenagem. O cartaz do ilustrador André Persechini é um dos trabalhos elaborados para o Concha
André persechini ilustração/divulgação
Homenagem. O cartaz do ilustrador André Persechini é um dos trabalhos elaborados para o Concha

No dia 5 de abril, o Concha – seção de música do portal O TEMPO – lançou o especial sobre os 20 anos da morte de Kurt Cobain. Além de reportagens, vídeos e fotos, o trabalho conta com conteúdos exclusivos, como a série de pôsteres desenhados por artistas e designers de Belo Horizonte e a mixtape “20 Anos sem Kurt Cobain”, com versões de Nirvana gravadas por bandas independentes da cidade. 

Seis grupos de diferentes estilos mostram, cada um à sua maneira, porque o Nirvana está em seus DNAs musicais. Assim, o Barulhista apresenta “Heart-Shaped Box”; a Valsa Binária traz “Lithium”; “Rape Me” foi encarada pelo Hell’s Kitchen Project; “In Bloom”, pelo Tempo Plástico; “All Apologies” foi a escolha de Ram; e “Love Buzz”, do Pequena Morte.

Para o baterista do trio Hell’s Kitchen Project, Leo Braca, gravar a versão de “Rape Me” mostrou semelhanças entre a banda e o Nirvana. “A sujeira do som, o rock bem ‘true’, sem frescuras, rodeios e virtuosidade. Como sempre, não sentimos falta da guitarra. A marca registrada do Nirvana é muito mais a atitude que a guitarra. Usamos um baixo distorcido e a bateria com muitos ataques, além de uma linha vocal que brinca com vários estilos”, conta. O vocalista Jon Bazko, lembrou a importância da banda liderada por Cobain em sua formação musical e pessoal. “Por ser adolescente quando eu ouvia, me fez idealizar melodias, a me formar um cara que achava as distorções da guitarra e a explosão da banda algo lindo. O Nirvana me representava. Me entendia, sabia das minhas dores e revoltas. Era um aconchego”, lembra.

O Tempo Plástico já havia destilado “In Bloom” em shows, mas encarou a gravação da versão como um desafio. “Por ser uma música de estrutura simples, os sentimentos tornam-se mais evidentes. É preciso ter paixão e se entregar com a alma. Foi uma experiência única e, apesar da responsabilidade, nos sentimos como porcos na lama”, conta o guitarrista Cláudio Moreira. Motivos para a felicidade em interpretar o Nirvana não faltam, já que a banda de Seattle é referência unânime para o quinteto belo-horizontino. “Comecei a tocar por causa deles, o Nirvana me ensinou a paixão pelo rock. Cobain era um cara muito performático, que priorizava a energia e os sentimentos. Acho que o maior legado dele é a coragem de se doar à música sem se ponderar”.

Dentre as versões mais diferentes, destacam-se a “Lithium” minimalista do Valsa Binária, a “Heart-Shaped Box” instrumental do Barulhista e a “Love Buzz” em ska, do Pequena Morte. “O Nirvana abriu a porta para muitas bandas de garagem. Quase todo mundo que conheço acreditou que poderia montar uma depois de ouvir os caras”, ressalta Raul Zito, vocalista do Pequena Morte. .(com Guilherme Ávila)

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