Fronteiras estão desprotegidas

Especialistas afirmam que, embora tenham crescido, gastos com defesa ainda estão aquém do necessário

iG Minas Gerais | Flávia Denise e Aline reskalla |

Difícil escolha.  A decisão de comprar  os caças Gripen NG, da sueca Saab, foi tomada em dezembro  pela presidente Dilma Rousseff: modelo pousa em rodovias e reabastece em solo com apenas 15 minutos
Saab/Bae Systems/Divulgacao
Difícil escolha. A decisão de comprar os caças Gripen NG, da sueca Saab, foi tomada em dezembro pela presidente Dilma Rousseff: modelo pousa em rodovias e reabastece em solo com apenas 15 minutos

O expressivo investimento em defesa que o governo federal fez nos últimos cinco anos, longe de ser uma corrida armamentista, é, na verdade, o resgate de um defasado poderio bélico que compromete principalmente a fiscalização das fronteiras brasileiras. A conclusão é de especialistas ouvidos pela reportagem.

O cientista político e professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Paulo Roberto Leal, diz que essa retomada de investimentos corrige um atraso histórico. “O país viveu nos últimos anos um processo de recolocação internacional que não foi acompanhado pelo fortalecimento da área de defesa. Vizinhos com menos relevância internacional, como a Venezuela, são muito mais bem equipados do que o Brasil”, afirma Leal.

Segundo ele, é importante separar as questões. “Não podemos entender gastos de defesa só como ameaça externa de invasão, por exemplo. É importante cuidar das fronteiras, que têm a ver diretamente com a segurança pública num momento em que o tráfico de drogas aumenta significativamente”, diz ele.

O professor Frederico Gonzaga Júnior, do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), explica que, desde o final da Ditadura, há 50 anos, os gastos em defesa no Brasil caíram vertiginosamente. “Os cortes orçamentários, desde Collor, em 1990, atingiram o setor de defesa. O que vem acontecendo ultimamente se explica por uma tentativa de recompor minimamente este gasto em um contexto bastante diferente”, afirma o professor.

Ele destaca que o Brasil é um país de dimensões continentais, com uma fronteira seca gigantesca e que tem problemas graves. Além disso, afirma, a descoberta do petróleo na camada pré-sal coloca o país em uma perspectiva importante no cenário internacional de energia fóssil. “O Brasil é um importante país em energia renovável. Tudo isto coloca a questão geopolítica e estratégica na pauta”, diz.

Simon Schwartzman, sociólogo do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets), afirma que o Brasil investe cerca de 1.5% do Produto Interno Bruto (PIB) na área militar. “Em termos comparados, os gastos militares brasileiros não são altos. O Brasil de fato não tem uma história de guerra com vizinhos, nem perspectivas disto, mas tem problemas sérios de falta de segurança nas fronteiras territoriais e marítimas. Tem áreas internas controladas por gangues armadas, que trazem armas e contrabando do exterior sem muita dificuldade”.

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