Montesanto Tavares é pioneira no plantio de café com mogno

Grupo mineiro de Ricardo Tavares reúne nove empresas que vão faturar R$ 900 milhões neste ano

iG Minas Gerais | Helenice Laguardia |

Modéstia. O presidente da Montesanto Tavares, Ricardo Tavares, diz que a empresa foi crescendo e “de repente ficou um pouquinho grande”
GUSTAVO BAXTER/ O TEMPO
Modéstia. O presidente da Montesanto Tavares, Ricardo Tavares, diz que a empresa foi crescendo e “de repente ficou um pouquinho grande”

Neste ano, a Montesanto Tavares – holding de nove empresas no setor cafeeiro com faturamento previsto de R$ 900 milhões, alta de 40% – vai colher 150 mil sacas de café arábica dos 4.000 hectares em que tem participação e exportar 1,5 milhão de sacas de café verde, já que compra de outras fazendas. Mas, o empenho atual do presidente da companhia, o mineiro de Ponte Nova Ricardo Tavares, 52, é disseminar a cultura do café sombreado com mogno, que a companhia é pioneira no país. “O preço da saca hoje está a US$ 180, mas o café sombreado custa de 10% a 30% acima desse preço de mercado”, calcula Tavares, que preside a Associação Brasileira de Produtores de Mogno Africano.

Tavares iniciou a produção do café sombreado com mogno africano, da espécie khaya ivorensis na fazenda Matilde, em Capelinha, no Jequitinhonha. A primeira safra será colhida neste ano em 60 hectares. “Serão somente 3.000 sacas. Parte delas já está vendida para os EUA e Japão”, conta. Agora, o empresário está plantando outros 300 hectares do café arábica consorciado com mudas de mogno.

Tavares conta que a ideia do negócio veio de uma viagem que fez à América Central , no ano passado. Lá, 90% das lavouras são desse tipo. “No Brasil foram feitas várias tentativas mas não dava a produtividade que o produtor queria. Agora, com essa nova modalidade de 25% de sombra (plantamos três linhas de café e uma de mogno), vai dar certo”, afirma.

A diferença do café sombreado, explica Tavares, é que com o amadurecimento prolongado, sem tomar sol diretamente, isso faz o grão ganhar qualidade superior e gosto mais adocicado. Além disso, após 15 anos, já é possível cortar a madeira do mogno que estará no ponto de venda para o mercado. “Consigo R$ 2.500 pelo m³ de madeira cerrada”, calcula.

Tavares diz que quer mostrar ao cafeicultor que esse tipo de produção garante uma renda extra “No período de 15 anos , tudo o que ele produzir de café, somado à madeira, o mogno será responsável por 75% do resultado dessa operação”, afirma.

Tavares explica que a cada um hectare de café são plantadas 5.700 árvores. “Quando vai fazer café sombreado tira 144 pés de café e planta 144 árvores de mogno”. A muda de mogno usta de R$ 4 a R$ 5.

Para o executivo, que sempre foi do ramo de café e atua na produção, exportação, importação, transporte até armazenagem, Minas Gerais já tem muitos produtores de mogno e tem 50% das plantações de café do país. “Se o produtor entender essa conta, ele vai entender a vantagem de fazer o café sombreado e o crescimento que o mogno propicia para a atividade”.

Seminário

Produção. A Associação Brasileira dos Produtores de Mogno Africano realizará o Seminário Brasileiro de Mogno Africano, nos dias 11 e 12 de abril, em Pirapora (MG). Inscrições no www.abpma.org.br.

Grandes números

1,5 milhão de sacas de café neste ano exportadas por meio da Cafebras e Atlântica

500 mil sacas de café importadas neste ano pela Ally Coffee de várias origens

1.000 hectares de mogno estão plantados nas fazendas do grupo Montesanto Tavares

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