Casamento: decadente e com validade

iG Minas Gerais |

Sintetizando o que pontuamos na semana passada, nada mais natural que o acasalamento, pois machos e fêmeas carregam segredos que são complementares e por enquanto são co-dependentes e essenciais para construir a base da vida. Mas, quanto ao casamento, aquele formal, civil, religioso,legal, aí já é outra história! Esta instituição esta caindo pelas tabelas, e de duas, uma: ou o reinventamos, ou abrimos mão de nossas hipocrisias e regredimos aos tempos de acasalamento. Chega desse papo de que filho segura casamento, ou que patrimônio justifica viver no inferno, ou dois estranhos gerarem ódios inenarráveis no mesmo espaço físico. Que violências domésticas, ambientes neurotizantes, ciúmes doentios e traições recorrentes maquiados por aparência de casal perfeito para a sociedade ver sejam extintos em nome da felicidade de cônjuges, filhos, netos, familiares. “Xô”, sofrimento, angústia, medo da solidão, ditadura de ter que estar com alguém para inglês ver. As boas coisas da vida, acontecem ao acaso, na lógica divina, quando menos se espera. Fora os que adoram ser solitários, caseiros, solteiros e tem que enfrentar a cobrança dos amigos horrorizados que obrigam a uma vida social ou de baladas que odeia. Assuma ser eremita, “de lua”, e socialize apenas quando quiser. Aliás, nunca case. No máximo, namore, bata asas e volta para o próprio ninho. Já as casadoiras, as desesperadas do “bem-casado”, do vestido branco, do salão florido, estas nasceram com o dom para a vida a dois. De chegar em casa e preparar o jantarzinho, pular no colo do cônjuge, dormir de conchinha, receber casais amigos, churrascos... Somos assim, uma fauna de personagens em busca da alma gêmea. Sonhando e relacionado com príncipes e princesas, e quando casamos acordamos com sapos e sapas. Pois há uma distância imponderável entre sonho e realidade, ideal e fatos, ser bem intencionado e bem sucedido. Casamos com peitos, bundas, cabelos lindos e conviveremos com celulites, barrigas e carequices. Casamos com tímidos e viveremos com mudos ou surdos. Casamos com calmos e seremos companheiros de nervosos, agressivos, bêbados, impacientes. Ou não! Quando jovens, somos intransigentes, radicais, impulsivos, brigamos por coisas absolutamente infantis e irrelevantes. Com o tempo, vem a tolerância, o convívio, a amizade e, nas bodas de prata, filhos já encaminhados, colhemos a temperança, a paciência, compreensão, mesmo que discordante. O bom dos tempos modernos, onde falta tempo para tanta coisa e tudo é rápido, superficial, descartável, virtual, onde telas substituem o olho no olho, o violão tocando, acampamento perto da cachoeira, a dança lenta do rosto no rosto. O bom é que só casa quem quer! E se casar, saiba que esta instituição não resiste mais a interesses econômicos, sexuais, status ou coisas similares. Há que ter base, quatro em especial: afinidade, admiração, afetividade e respeito. O resultado é o amor! Algo que só o ser humano experimenta. O resto é coisa de mamífero, ou réptil, ou ameba...

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