Futuro do planeta depende de ação no presente

iG Minas Gerais |

Viver no presente é uma arte que a maioria das pessoas, pelo menos no ocidente, não domina. Em geral vivemos preocupados com o futuro, que nada mais é do que um presente que ainda não aconteceu, mas que certamente resulta das ações executadas no aqui e agora. Esse deslocamento mental para um tempo imaginado é uma fonte constante de angústia, mas é uma das características que colocam o animal humano em uma categoria quase exclusiva (não duvido que outros animais pensem no futuro, mas não posso afirmar quais). A preocupação com a preservação do meio ambiente faz parte dessa consciência de tempo e morte. Sabemos que temos que preservar o planeta para termos um futuro como espécie. Por isso, o discurso ambiental frequentemente enfatiza a preservação da natureza como legado para futuras gerações. Mas por que falamos tanto do futuro e agimos tão pouco no presente, onde o futuro é incubado? Uma das últimas notícias ligadas à mudança climática traz dados nada animadores em relação a esse futuro que queremos tanto preservar. Como foi noticiado recentemente, o nível de carbono na atmosfera atingiu níveis recordes, o que deve acelerar a mudança climática. Nós aqui no Brasil já estamos sofrendo, com chuvas muito fortes, ondas de calor excessivo e problemas de abastecimento de água. Tudo isso é muito ruim, mas o pior está por vir, dizem os cientistas em novo relatório que está sendo publicado em abril. O relatório feito pelo Working Group II do Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas (IPCC) é o trabalho final de centenas de autores e detalha como os efeitos do aquecimento global irão alterar a sociedade humana nas próximas décadas. Mesmo com tecnologias de mitigação, os impactos serão profundos, especialmente se as emissões continuarem no nível que estão indo agora. Aqui temos mais um exemplo do ser humano usando sua capacidade de antecipar o futuro que está sendo alterado pela ação do próprio homem. Mas existe outro aspecto da natureza do ser humano que parece anular essa capacidade: a visão de curto prazo. Infelizmente essa característica domina decisões políticas que têm uma aversão natural a tudo aquilo que vai além de quatro anos. É nessa discrepância entre inteligência e irresponsabilidade que se encontra a tragédia humana como coletivo, o motivo pelo qual o planeta poderá se tornar um lugar bem inóspito para nós e outras espécies que sobreviverem ao pandemônio climático. Sabemos dos problemas que temos nas mãos, mas não fazemos nada que realmente os resolvam, apenas falamos sobre o assunto. Até quando? O tempo está passando, já quase passou. Pense nisso na hora de votar. Lobo Pasolini é jornalista, blogueiro e videomaker. Ele escreve sobre energia renovável e questões verdes para www.energyrefuge.com e www.energiapositiva.info. Ele divide este espaço com Mariana Rodrigues, Ludmila Azevedo, Silvana Holszmeister, Jack Bianchi e Tereza Cristina Horn. 

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