Sinal amarelo

Perda de audiência do “Programa do Jô” evidencia engessamento de Jô Soares e infidelidade do público

iG Minas Gerais | geraldo bessa |

Queda. Atração de Jô Soares vem caindo em audiëncia e mudanças já são necessárias no programa
Globo
Queda. Atração de Jô Soares vem caindo em audiëncia e mudanças já são necessárias no programa

O telespectador sabe muito bem o que esperar do “Programa do Jô”. Quando o entrevistado é interessante, certamente, Jô Soares fará sua parte em entrevistas sempre acima da média. Quando o convidado não rende tanto assim, o apresentador é o primeiro a ofuscá-lo, contando casos de sua vida em meio aos bastidores de uma era iluminada da televisão e do teatro brasileiro. Sempre foi assim, desde que ele trocou a Globo pelo SBT, no fim dos anos 80, e ganhou o talk show “Jô Soares Onze e Meia”.

Ao longo dos anos, tornou-se o principal entrevistador do país, aglutinando convidados. Do alto de sua experiência e desfrutando de prestígio, ibope e excelência de produção na Globo desde 2001, seria pouco provável que surgisse, em pleno 2014, um adversário com fôlego para lhe tomar uma parte da audiência. Mas foi no próprio SBT que emergiu a resistência com o program “The Noite”, late show comandado por Danilo Gentili.

Empatando ou perdendo para o SBT durante todo o último mês de março, Jô, pela primeira vez, viu seu programa global ficando para trás na audiência isolada no horário ao concorrer com um apresentador que nunca pareceu uma real ameaça. Nos tempos de “Agora É Tarde”, da Band, Danilo Gentili variava entre os três e quatro pontos de audiência, contra confortáveis oito pontos do “Programa do Jô”. Atualmente, com um programa totalmente modificado, esperto e repleto de convidados interessantes, Gentili varia entre os seis e sete pontos – com picos de dez. Enquanto Jô se contenta em estar levemente abaixo, entre cinco e seis pontos nos números de audiência do Ibope.

Números à parte, esse confronto sadio revela o óbvio. Deitado em berço esplêndido, aos 76 anos, Jô não quer ou precisa se reinventar. E com cerca de 700 entrevistas anuais, fica difícil sair do mesmo esquema. Completam o engessamento, a falta de boas descobertas. Quando não são os mesmos convidados e histórias, o apresentador recebe anônimos nada interessantes. Aliado a isso, parte do público ávido pelo novo e sem qualquer fidelidade acabou mudando de canal. Como entrevistador e homem de televisão, Jô está a anos luz de Gentili: basta observar o jeito mais informativo com que aborda seus convidados. No entanto, um late show que se preze precisa entreter além da conversa. Resta esperar para ver se Gentili devolve a paz para a audiência de Jô ou se a Globo decide promover mudanças forçadas no “beijo do gordo”.

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