Paraíso tropical ‘gourmet’

iG Minas Gerais | Renato Quintino |

Quando chegamos a qualquer país do mundo, queremos provar a comida do lugar. Quem vai para a Argentina quer carne na parilla; na Itália, massas, pizzas e risotos; na França, seus muitos clássicos; na Rússia, caviar; nos países nórdicos, os peixes defumados; e, no Japão, sushis, sashimis e cia.

O mesmo vale para quando o endereço é específico. Queremos bisteca em Florença, risotos e trufas em Piemonte, risoto milanês em Milão, pizza marguerita em Nápoles, sanduíche de pastrami e cheesecake em Nova York, coq au vin na Borgonha, jambalaya em New Orleans, goulash em Budapeste, schinztel em Viena, currywurst em Berlim e falafel em Jerusalém.

A dificuldade que ainda persiste por aqui é encontrar quantidade de bons restaurantes de cozinha brasileira. Estrangeiros que virão para a Copa do Mundo encontrarão dezenas de temakerias, bares de tapas, restaurantes italianos, asiáticos e franceses, mas poucos restaurantes brasileiros. As exceções são honrosas, mas foi a cozinha brasileira que projetou internacionalmente Alex Atala e, agora, consagrou Helena Rizzo, do Maní, de São Paulo, como a melhor chef mulher do mundo.

Equilíbrio

Nossos clássicos são comuns em bares e botecos, mas são poucos os restaurantes que exploram, de forma autêntica e sem excesso de misturas, a cozinha do Brasil. Há um equilíbrio que deve ser buscado entre respeitar a tradição e inová-la. O problema é quando o prato fica rebuscado, com trufas pra lá e foie gras pra cá, não dando para reconhecer o sabor original de um tutu de feijão ou de um camarão ensopadinho com chuchu.

Equilíbrio encontrado, o toque criativo e original do prato é o desafio vencido por muitos chefs talentosos, que hoje, felizmente, colocaram a cozinha brasileira em novos patamares.

O articulista Joaquim Ferreira dos Santos retratou muito bem, no jornal “O Globo”, na semana passada, o complexo de colonizado que o brasileiro, infelizmente, ainda tem, ao postar no Instagram fotos de pratos sofisticados, mas nunca um arroz com feijão, carne moída e dois ovos em cima – o que é uma delícia! –, por que, aqui, não “agrega valor”.

Reconhecimento

Grande destaque hoje são os chefs de cozinha brasileira, como César Santos. Conhecido como o “embaixador da cozinha pernambucana”, com o Oficina do Sabor, em Recife, ele assina o cardápio do restaurante Kaamo, do Kenoa Exclusive Beach & Spa Resort (aberto ao público externo), em Alagoas.

O chef pernambucano, que tem clássicos como abóbora recheada com camarão ao molho de manga e cascão de siri regado ao molho de coco, faz parcerias com chefs internacionais, como Victor Sobral, de Lisboa, e é destaque em revistas internacionais.

Como diz um antigo ditado: “Se quiser atingir o mundo, fale de sua vila”.

Chefs talentosos, hoje, felizmente, colocaram a cozinha brasileira em novos patamares

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