Sonho da fusão nuclear ainda é distante, mas há avanços

Cientista diz que é cedo para especular sobre centrais movidas a laser

iG Minas Gerais | Kenneth Chang |



Ex-fugitivos. 

Suspeitos de morte de criança foram encontrados escondidos em um barracão na capital
Jim Wilson / The New York Times
Ex-fugitivos. Suspeitos de morte de criança foram encontrados escondidos em um barracão na capital

LIVERMORE, EUA. A fusão é o sonho eterno dos cientistas da energia – segura, não poluidora e quase ilimitada. Até mesmo no Laboratório Nacional Lawrence Livermore, nos Estados Unidos, onde o foco primário do trabalho com fusão envolve armas nucleares, muitos cientistas falam poeticamente a respeito de como ela poderia dar um basta no vício mundial em combustíveis fósseis.

“É o sonho da energia solucionadora, do futuro”, disse Stephen E. Bodner, físico aposentado que trabalhou com fusão em Livermore nas décadas de 60 e 70.

O conceito básico por trás da fusão é simples: espremer átomos de hidrogênio com força suficiente para que se unam formando o hélio. Um átomo de hélio pesa pouco menos que os átomos de hidrogênio originais, e pela equação E = mc², de Albert Einstein, essa diminuta quantidade de massa liberada iria se transformar em energia. O hidrogênio é tão abundante que, ao contrário dos combustíveis fósseis ou material físsil como o urânio, nunca irá terminar.

Contudo, a fusão controlada ainda é um sonho perseguido com avidez e perpetuamente fora de alcance. Os cientistas nunca encontraram uma maneira de manter a reação de fusão acontecendo por tempo suficiente para gerar energia capaz de ser usada. A piada corrente é de que a “fusão está 30 anos no futuro – e sempre estará”.

Agora, no entanto, os cientistas de Livermore anunciam um progresso esperançoso. No mês passado, a equipe liderada por Omar A. Hurricane anunciou que havia empregado os lasers gigantes de Livermore para fundir átomos de hidrogênio e produzir lampejos de energia, como bombas de hidrogênio miniatura. A quantidade de energia produzida era minúscula – o equivalente ao que lâmpadas incandescentes de 60 watts consomem em cinco minutos. Porém, o valor foi cinco vezes maior do que a produção de experimentos de anos atrás. Quando um físico chamado Hurricane gera rajadas significativas de energia de fusão com 192 lasers gigantes, o universo do Twitter se deleita com as possibilidades que só estão nos gibis.

“Ele não fazia parte dos X-Men?”, tuitaram em referência ao personagem Furacão. “É uma história científica incrível, mas a chance é de 0% de que um cientista de fusão a laser chamado doutor Hurricane não seja um supervilão”, brincaram.

Perfil. Na verdade, Hurricane, 45, está mais para Clark Kent do que para Super-homem. Em vez de salvar o mundo, sua ambição é solucionar a charada científica que tem diante de si. Ele afirmou que ainda era cedo demais para especular sobre centrais elétricas movidas a fusão a laser no futuro. “Não quero que tudo se concentre em mim ou no meu sobrenome engraçado”, completou.

A reação de fusão ocorreu na Instalação Nacional de Ignição (NIF, em inglês), projeto de Livermore com história polêmica e cara. Depois que os EUA pararam de fazer testes atômicos subterrâneos em 1992, integrantes do laboratório argumentaram que era necessário dispor de alguma maneira para verificar se as armas iriam funcionar como os modelos de computador previam.

A explicação do projeto encontra-se no último nome: Ignição. Com objetivos simplistas, a “ignição” foi definida como uma reação de fusão que produz tanta energia quanto o raio laser que a dispara. Para conseguir isso, um pouquinho da fusão inicial tem de passar para os átomos de hidrogênio vizinhos. O centro da NIF é a câmara-alvo, esfera metálica com 10 m de diâmetro dotada de equipamento de diagnóstico reluzindo para fora. Parece coisa de “Jornada nas Estrelas”.

“Não quero que tudo se concentre em mim ou no meu sobrenome engraçado”

Omar A. Hurricane, Cientista

Inspiração

Ficção. A Instalação Nacional de Ignição apareceu, de fato, em “Jornada nas Estrelas”, servindo de sala das máquinas da espaçonave Enterprise no filme “Além da Escuridão”.

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