Consumo de energia em alta anula efeito positivo da chuva

Reservatórios ainda estão vazios e risco de apagão continua alto, embora águas tenham trazido alento

iG Minas Gerais | Ana Paula Pedrosa |

Furnas. Reservatórios de Furnas ainda estão vazios, apesar das chuvas dos últimos dias
Uarlen Valerio/25.3.2014
Furnas. Reservatórios de Furnas ainda estão vazios, apesar das chuvas dos últimos dias

As chuvas dos últimos dias já fizeram subir um pouco o nível dos reservatórios no sistema Sudeste/Centro-Oeste, que concentra a maior capacidade de armazenamento do país, e fizeram cair o risco de racionamento. “A situação ainda é crítica, mas está um pouco melhor”, diz o diretor da área de regulação da Thymos Energia, Ricardo Saboia. O risco de haver um racionamento, que já chegou a ser de 94%, segundo analistas de mercado, hoje, estaria em cerca de 80%.

A possibilidade cairia bastante se houvesse redução de 5% do consumo. Caso a demanda fosse menor, o risco seria de 24%. No cenário anterior, o percentual seria de 40%. Essa redução, porém, está longe de ser realidade. O que vem acontecendo é justamente o contrário. No ano passado, o consumo médio subiu 3,3%. Neste ano, no mês de fevereiro, a alta foi de 8% considerando o pico da demanda. E as previsões são as mesmas para março.

“Nos últimos cinco anos, houve aumento médio das temperaturas, a massa salarial cresceu e o crédito também. Essa combinação faz a demanda se elevar”, explica Saboia. O crescimento médio verificado no ano passado ainda está abaixo dos 4,3% ao ano projetados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) no Plano Decenal de Energia (PDE) referente ao período entre 2013 e 2023.

Saboia acredita que um eventual racionamento exigiria da população mais sacrifício para poupar energia do que em 2001, quando havia mais “gordura” para ser queimada.

“Uma série de hábitos de racionalização foram adotados naquela época e permanecem, como o uso das lâmpadas fluorescentes em vez das incandescentes. Hoje, o empenho para reduzir o consumo teria que ser maior”, diz o especialista.

Reservatórios. Os reservatórios do sistema Sudeste/Centro-Oeste que fecharam março com 36,26% da capacidade estavam com 36,47% anteontem. Em fevereiro, o mês mais crítico até agora, eles chegaram a 34,61%. Em 2001, eles estavam com 34,53% em março e desceram para 32,78% em abril.

Custo

Repasse. O custo dos empréstimos de pelo menos R$ 8 bilhões que as distribuidoras de energia tomarão neste ano será repassado às tarifas dos consumidores em 2015 e 2016.

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