Aécio tenta tirar o PP da base de Dilma

Posse de Alberto Pinto Coelho aumenta a chance de os pepistas apoiarem os tucanos nacionalmente

iG Minas Gerais | Isabella Lacerda e Tâmara Teixeira |


Convidados lotaram os jardins do Palácio da Liberdade ontem
douglas magno
Convidados lotaram os jardins do Palácio da Liberdade ontem

A posse do governador Alberto Pinto Coelho e a possibilidade de o PP ganhar a vaga de vice na chapa para a disputa ao Palácio Tiradentes coloca o diretório nacional do partido mais perto de apoiar o senador Aécio Neves (PSDB) na disputa pela Presidência da República. Uma aliança entre tucanos e pepistas nacionalmente seria inédita já que, nos últimos anos, o partido ocupou ministérios da presidente Dilma Rousseff (PT) e embora tenha liberado os diretórios regionais para decidir os apoios nos Estados, esteve ao lado da petista no segundo turno.

Em uma tentativa de atrair e pressionar a executiva nacional do PP, Aécio Neves organizou um jantar sigiloso, anteontem, nas véspera da transferência do governo para Alberto Pinto Coelho. Além do novo governador, também participaram do encontro o ex-governador Antonio Anastasia e a senadora Ana Amélia Lemos, pré-candidata ao governo do Rio Grande do Sul e nome cotado para vice de Aécio.

“O PP tem o governo e a Assembleia de Minas. Esse ganho de poder do PP em Minas tem implicações. A experiência nos ensina a prudência. Não temos definições, vamos examinar as circunstâncias. Temos uma relação muito próxima com Aécio. A aliança com o PSDB pode se repetir em outros Estados. Nesse conjunto, essa aliança tem que ser ouvida pelo diretório nacional”, afirmou a senadora. Em outros Estados, como São Paulo e Amazonas, PSDB e PP também estão próximos.

Ontem, Pinto Coelho afirmou que apesar das realidades diferentes de cada Estado, agora que assumiu o segundo maior colégio eleitoral do país, vai trabalhar para aproximar a sua legenda de Aécio para as eleições de outubro. “O Partido Progressista é nuclear em Minas Gerais, desde o primeiro momento. Naturalmente, é um partido que tem uma realidade nacional que não foge aos demais partidos, uma diversidade em cada Estado. Mas nós estaremos aqui tentando levar o partido nacionalmente para a candidatura de Aécio”, afirmou.

Também ontem, o senador disse que, apesar de respeitar a posição da direção nacional do PP, sente um movimento crescente em vários Estados, que aproxima o PP dos tucanos. “As alianças que acontecem em torno de um projeto no qual todas as pessoas acreditam, e não apenas em torno da distribuição desse ou daquele espaço, são os que darão resultado. Acredito muito nas coisas naturais na política.”

“Esse ganho de poder do PP em Minas tem implicações. A aliança com o PSDB pode se repetir. Essa aliança tem que ser ouvida pelo diretório nacional”

Ana Amélia (PP), Senadora

 

 

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave