Faroeste rodado em Minas

Filme de Abelardo Carvalho é exibido hoje no Parque de Exposições Alvino Alves Pinto, em Pains, onde foi rodado

iG Minas Gerais | Carlos Andrei Siquara |

Rudji Mayal
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Desde a infância o diretor Abelardo Carvalho conhece a história de Luís Garcia, personagem principal do filme “Faroeste”, que será exibido hoje no Parque de Exposições Alvino Alves Pinto, em Pains. A projeção acontece no mesmo local que serviu de locação para algumas das passagens do filme, todo ele rodado de maneira independente, com luz natural e participação de pessoas da cidade e de outros locais, como o Rio de Janeiro, onde Carvalho vive.

Inspira o longa, o livro “Bestiário” (2002), romance em que diretor apresenta o protagonista em dois capítulos. Para produzir o título, ele conta ter investido oito anos. Agora para levar a trajetória de Garcia para elas ele, além do romance, buscou referências no gênero do faroeste.

“Luís Garcia morre muito cedo, aos 33 anos. No livro, há bastante ficção em torno da trajetória dele, que de fato existiu. Para fazer o romance, eu fiquei pesquisando cerca de dez anos e notei que há várias versões sobre o caso”, conta Abelardo Carvalho.

De acordo com o cineasta, o interessou o caráter ambíguo da personalidade de Garcia. “O percurso dele é muito rico. Ele não é bom nem mau e abarca todos os conflitos que um bom personagem precisa ter”, comenta Carvalho.

Rodado na Região da Serra da Canastra, o mineiro radicado na capital carioca diz que pretendia filmar um grande épico, com cerca de três horas. Embora não tenha mantido a proposta original, ele colocou em prática a ideia de fazer um longa-metragem a partir da estética dos “westerns” norte-americanos. O seu fascínio pelo segmento é antigo e foi abordado no documentário “Cowboy”, que produziu dois anos atrás.

“O longa se inspira nos filmes norte-americanos mas tem elementos extremamente mineiros. A presença da religiosidade é um exemplo. Eu busquei na linguagem do faroeste alguns recursos que se revelam pela escolha da trilha sonora, além do encaminhamento do enredo”, afirma.

Outra estratégia utilizada por Carvalho foi dar voz aos atores por meio de dublagens. “Como eu sou de Iguatama, do interior de Minas Gerais, eu nunca vi um faroeste no cinema com o som original. Lá só chegavam os filmes dublados e é, assim, um referência à experiência daquele tempo”, conta o diretor.

Enredo. A tocaia em que Luís Garcia cai é preparada por um Beato aliado a um grupo de ciganos. Durante o ataque, quem está ao lado de Garcia é um amigo Sanfoneiro que narra a história do parceiro ao Padre da cidade, no momento de uma confissão. Chega aos ouvidos do religioso que a derrocada de Garcia começa quando ele se apaixona por Deusa, uma mulher que conhece numa festa junina.

Apaixonado, ele comete loucuras, como roubar relíquias de igrejas e de um cemitério de ciganos para presentear a amada. Em razão das confusões que apronta, o protagonista acumula desavenças que levam ao seu fim trágico.

“Essa história perpasse três cidades, Iguatama, Formiga e Pains, onde ele é assassinado. Apesar de acontecer nesses espaços, a história de Garcia não é regional, mas sim universal”, diz Carvalho.

Agenda

O quê. Exibição do filme “Faroeste”

Quando. Hoje, às 20h30

Onde. Parque de Exposições Alvino Alves Pinto, em Pains

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