Memórias afetivas do centro de Belo Horizonte em livro

Série de livros sobre a capital mineira chega ao 24º volume contando casos boêmios e literários

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Escrita. 
Antonio Barreto escreveu “Centro” quase sem fazer pesquisas, apenas com suas memórias
UARLEN VALERIO / O TEMPO
Escrita. Antonio Barreto escreveu “Centro” quase sem fazer pesquisas, apenas com suas memórias

A cobiça pelas damas da noite, os planos para enfrentar a ditadura militar e os poemas marcados em guardanapos: na década de 70, esse era o principal roteiro dos intelectuais que se reuniam nos botecos do chamado “baixo centro” de Belo Horizonte. As memórias afetivas desse tempo, que ainda não tinham registro oficial, finalmente chegam às livrarias pelas mãos do escritor Antonio Barreto, no livro “Centro”, o 24º volume da coleção BH. A Cidade de Cada Um, que será lançado hoje na capital mineira.

Longe de ser um registro histórico, o livro é baseado em sentimentos literalmente embriagados de uma turma acostumada a andar pelas ruas do “Baixo Belô” sempre à caça de uma loura gelada. O termo Baixo Belô, aliás, nasceu de uma conversa entre amigos de Antonio Barreto, em que Fernando Sabino acabou carimbando uma crônica que dividiria o centro da capital, em 1973. “Belo Horizonte tem uma cota média de 836 pés acima do mar. Numa conversa sobre isso, a gente decidiu que toda região abaixo desse nível se chamaria Baixo Belô, que era a região da Guarani, da Guaicurus, da Agusto de Lima etc”, relembra o escritor.

Para escrever “Centro”, Antonio Barreto deixou a memória sentimental voltar ao ano de 1970, quando saiu de Passos, no Sul de Minas, para estudar história e rodar por dezenas de pensões e repúblicas no baixo centro da capital, onde morou por mais de 10 anos. Eram tempos em que os colegas poetas e jornalistas como Murilo Rubião, fundador do Suplemento Literário, Jaime Prado Gouvêa, Paulinho Assunção, Sérgio Santanna, Oswaldo França Junior e Roberto Drummond se dividiam entre redações, papéis escritos avulsos e, claro, as mesas de bar.

“A gente costumava dizer que todo boteco que se preze tinha que ter quatro caixotes: uma para o trampo (falar de trabalho), outro para o papo (jogar conversa fora), o terceiro para as atitudes (quando a gente se inflamava para mudar o mundo) e o último para a fé (quando nos apegávamos a uma esperança de dias melhores)”, revela.

Nesse contexto, o livro é dividido em três capítulos majoritários para mostrar como a boemia e a literatura formaram o pensamento crítico mineiro. Durante a leitura, as palavras de Antonio Barreto nos guiam por histórias de bares saudosos como o New Burguer, na Augusto de Lima, o Gruta do Chico, na rua Goiás, o Lua Nova e a Cantina do Lucas, no Edifício Maletta, além das extintas lojas de LP’s na rua Guarani. “Nem tudo que está ali é histórico ou aconteceu fielmente como está descrito. O que quis foi passar o sentimento que sentíamos naquela época e que influenciou uma geração de boêmios que se forma constantemente até hoje na capital mineira”.

Lançamento

O livro “Centro” será lançado hoje, a partir das 11h, na Quixote Livraria (rua Fernandes Tourinho, 274, Savassi)

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