‘Concurso público’ para goleiro da seleção

iG Minas Gerais |

Há uma frase recorrente no futebol: goleiro é cargo de confiança.

Até entendo que um treinador tenha com seu último defensor uma relação diferente da que tem com os demais jogadores, já que a posição em questão difere, e muito, das outras dez de uma equipe, tanto que existe a figura do treinador de goleiros.

Mas será que todas as posições não são de confiança? Se o treinador não confia em um jogador, como escalá-lo, a menos que não tenha outra opção, o que não é o caso de Luiz Felipe Scolari, técnico da seleção brasileira?

Muito me preocupam as escolhas de Felipão para a meta do elenco que vai disputar a Copa, exceção feita ao goleiro Jefferson, do Botafogo, que está em grande fase há muito tempo e merece estar entre os três goleiros que formarão o grupo do Brasil.

Agora, Julio Cesar e Diego Cavalieri, que foram os outros dois goleiros na Copa das Confederações, não são, pelo menos nos últimos meses, melhores do que os goleiros de Cruzeiro e Atlético, Fábio e Victor, respectivamente.

O caso de Fábio é mais complicado, e por três motivos: não tem uma chance na seleção há muito tempo, apresenta dificuldades para sair do gol e tem fama de ser chato nas concentrações, pois extrapola o legítimo direito de pregar sua religião, a evangélica.

Aliás, essa é uma característica de muitos evangélicos: não entendem que, assim como eles têm o direito de professar sua religião, as outras pessoas têm o direito de não serem evangélicas e até de não terem religião.

Já Victor, que já foi chamado por Felipão, depois do que fez na Libertadores do ano passado e do que vem fazendo neste ano, merece estar entre os três goleiros na Copa.

A atuação dele no jogo de quinta-feira, contra o Santa Fe, na Colômbia, no empate em 1 a 1 que classificou o Galo para as oitavas de final da Libertadores, foi uma prova irrefutável de que não tem como ele ficar fora do grupo de 23 atletas do Brasil, disputando a vaga de titular com Jefferson. Por falar em prova, o que o “São Victor”, como ficou eternizado pela Massa do Galo, fez anteontem merece aprovação entre os primeiros lugares no “concurso” para uma das vagas na Copa do Mundo, o ápice na carreira de qualquer jogador.

É como se um bacharel em direito fosse aprovado para juiz federal, citando apenas um exemplo da febre de concursos públicos que o Brasil vive.

Aliás, o instituto do concurso público visa, exatamente, fazer com que as vagas no serviço público sejam preenchidas pelos mais capazes e que a máquina governamental não seja tocada apenas por cargos de confiança, o que muitas vezes acaba sendo muito ruim para o usuário do governo, o cidadão. Temo ser esse o caso de Julio Cesar e de Cavalieri com os usuários da seleção, a torcida brasileira.

Para ilustrar como essas escolhas de confiança são perigosas, basta lembrar José Dirceu, homem de confiança de Lula no começo de seu primeiro mandato, até ter que renunciar ao cargo de ministro da Casa Civil após as denúncias da existência do maior esquema de corrupção que o Brasil já viu, o mensalão. Hoje, Dirceu está preso, cumprindo pena por vários crimes referentes ao esquema. Na época, Lula disse que o mensalão “não existia” e, depois, afirmou que não sabia de nada. Como ele não sabia de uma coisa que “não existiu”? Pelo menos essa desculpa esfarrapada Felipão não poderá dar, a menos que não esteja cumprindo sua obrigação como técnico da seleção brasileira, observar jogos não só na Europa, talvez muito ocupado gravando mais um comercial.  

Erro. Julio Cesar já foi o melhor do mundo, mas, atualmente, joga em uma liga fraca tecnicamente, a norte-americana, pois ficou sem mercado. Até acho que, pela experiência que tem, até a adquirida no fracasso de 2010, poderia fazer parte do grupo, mas daí a Felipão ter dito que o goleiro está garantido na Copa, e como titular, vai uma distância grande. Cuidado Felipão com os cargos de confiança!

Ressalva. Apesar de Fábio ter essa limitação para sair do gol e, para muitos cruzeirenses, não saber armar barreiras, sua capacidade técnica e agilidade embaixo das traves compensam a defasagem na saída de gol. Ele é sensacional! Faz defesas espetaculares naquelas bolas à queima-roupa, é reflexo puro. Sua especialidade são bolas rasteiras no canto do gol. Nesse quesito é o melhor do Brasil, disparado. 

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave