Despedida de Anastasia

iG Minas Gerais |

Antonio Anastasia deixou ontem o Governo de Minas. Como apresentado por O TEMPO, em entrevista publicada na edição de ontem, ele deixa muitas conquistas e também metas para serem cumpridas, principalmente no que diz respeito à segurança pública, área em que se destacou de forma convincente quando o governador era Aécio Neves.

De maneira geral, Anastasia sai com uma imagem positiva. Um governador que soube dosar bem o meio político com seu perfil técnico. Se nos primeiros anos da gestão faltou a ele uma marca mais forte, como o “choque de gestão” disparado por ele mesmo na administração de seu antecessor, agora ele deixa a Cidade Administrativa com o carimbo de ter feito um governo limpo, sem problemas aparentes com a corrupção e com ares progressistas.

Para ele, o futuro político está definido. Só não será senador se assim desejar. O bom discurso, a independência com relação a grupelhos, a forma pacífica que conseguiu enfrentar as maiores dificuldades de seu governo e a capacidade de não perder a linha nos momentos mais críticos, além de sua visão republicana e do relacionamento respeitoso que manteve com os adversários, fazem dele um candidato pronto, sem que sejam necessários retoques ou costuras constrangedoras.

Anastasia pode ainda deixar de ser candidato e se concentrar na coordenação da campanha de seu amigo e mentor Aécio Neves, o que, apesar de possível, é menos provável. Se isso ocorre, certamente, ganha Aécio, mas perde o Estado.

Nas conjunturas atuais, não existe candidato ao Senado em melhores condições morais e políticas em Minas Gerais do que Anastasia.

Em seu lugar, assume Alberto Pinto Coelho. Um vice que foi fiel e não causou problemas ao grupo que o alçou ao posto do segundo homem mais poderoso do Estado. Para Aécio, um nome que tem peso de ouro, pois, no tabuleiro da política nacional, Minas Gerais com Alberto governador significa muito. O seu partido, o PP, que na esfera nacional está alinhado à presidente Dilma Rousseff e ao PT, agora tem um governo inteiro em suas mãos e motivos de sobra para dar desculpas, pois irá tomar conta do segundo reduto eleitoral mais importante do país.

Será aqui o campo das maiores e melhores batalhas para a presidência, afinal, os dois candidatos com mais chances de vencer em outubro são mineiros. O tom de político conciliador de Alberto e a capacidade de articulação do senador tucano, associados ao bom desempenho e à boa avaliação pública de Anastasia, serão altamente relevantes nos momentos mais decisivos da pré-campanha, que, obviamente, traçará a possibilidade de um tucano voltar a governar o país. Já fica para Anastasia, seja qual for seu papel na disputa, o sentimento de missão cumprida.

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