Medo de crise no Cantareira também está relacionado à dengue

Moradores acumulam água em objetos como latas, pratos, vasos e até reservatórios

iG Minas Gerais | Da redação |

Reservatório do Sistema Cantareira, principal fornecedor de água para a cidade de São Paulo, tem terra rachada e já chegou a 13% de sua capacidade
Marcelo Moura / agência estado
Reservatório do Sistema Cantareira, principal fornecedor de água para a cidade de São Paulo, tem terra rachada e já chegou a 13% de sua capacidade

Em uma semana, o número de casos de dengue na cidade de São Paulo cresceu 55%, segundo dados divulgados ontem (3/4), pela Secretaria Municipal da Saúde. Desde 1.º de janeiro, foram notificados 1.166 casos da doença na capital. No balanço anterior, divulgado há uma semana, eram 751. Em relação ao mesmo período do ano passado, o aumento foi de 15%.

Treze distritos já ultrapassaram a incidência registrada no ano passado. A zona oeste é a mais afetada. Segundo o secretário da Saúde, José de Filippi Junior, uma das principais razões para o alto índice de casos nos bairros mais afetados é o acúmulo de água parada em objetos como latas, pratos de vasos e até reservatórios que estão sendo utilizados para o armazenamento de água por pessoas que temem um desabastecimento com a crise do Cantareira.

"Nossos agentes, principalmente da Lapa, identificaram nos últimos dois meses a população reservando água em algum utensílio, caixas de água ou outros tipos de reservatório, com essa água desprotegida e descoberta", disse Filippi. "A população está se precavendo por um lado, mas pode criar um problema por outro lado. Queremos alertar que esses recipientes devem ser cobertos."

Três distritos da região já têm incidência acima do normal: Jaguaré, Lapa e Rio Pequeno. Os distritos do Tremembé (zona norte) e Vila Jacuí (zona leste) também são áreas de preocupação da Secretaria da Saúde por terem apresentado aumento significativo de casos na última semana. "Só cinco distritos reúnem metade dos casos de dengue confirmados até agora na cidade. Então, vamos concentrar os nossos esforços nos locais que apresentaram crescimento totalmente inesperado", disse o secretário.

Campanha A partir de hoje, a prefeitura fará campanha nas rádios alertando sobre o risco de manter água limpa e parada descoberta. Filippi anunciou que a administração municipal também fará uma ação conjunta com a prefeitura de Osasco, município localizado no limite com a zona oeste e que também teve incremento da doença. O secretário afirmou que, em um mês, a cidade a Região Metropolitana passou de 30 para 350 casos.

"Vamos iniciar a ação na segunda-feira, no limítrofe das duas cidades, para que a gente possa somar esforços e concentrar a utilização de larvicida para combater os criadouros e aplicação de nebulização para eliminar o mosquito já na condição de transmissor." As ações, disse o secretário, têm o objetivo de impedir crescimento ainda maior de casos nas regiões críticas, já que o pico da doença sempre acontece em meados de abril.

 

 

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