Bate debate 4/4/2014

iG Minas Gerais |

Não à ditadura   Durval Ângelo Deputado Estadual   “O poder militar, não sendo respaldado por uma base econômica equiparável, tem seus limites como meio de coerção e dominação. Mas pode muito bem inspirar o aventureirismo, a tendência a liderar pela força, possivelmente com consequências catastróficas”. A declaração do linguista e analista político norte-americano Noam Chomsky, um dos maiores intelectuais da atualidade, inspirou-nos essa reflexão sobre os movimentos pró-retorno da ditadura militar que, recentemente, afloraram no Brasil. Sob a falsa bandeira cristã e da família, membros reformados das Forças Armadas tentam incitar um deturpado patriotismo, o mesmo ufanismo que, há 50 anos, deu origem ao Golpe de 64, responsável por mais de duas décadas perdidas no processo democrático brasileiro.    Felizmente, após avanços e tropeços, dificuldades e aprendizados, temos, hoje, uma democracia consolidada o suficiente para que a população não se deixe levar por movimentos conservadores e discriminatórios dessa natureza. Costumo fazer a analogia de que ela é como uma flor ainda frágil, que precisa ser cuidada permanentemente; tem que ser vigiada e “adubada”. Mas é uma das virtudes da democracia que conviva com as contradições, que tenha abertura para ser negada, inclusive com manifestações de saudosismo em relação à ditadura. E a ditadura, o que é? A experiência não deixa dúvidas: é um regime autoritário, que não permite o seu questionamento. Quem contra ele se posicionasse seria preso, torturado, ou engrossaria a lista dos desaparecidos políticos. Lembro-me aqui, por sinal, de que em países europeus, como Alemanha, França e Itália, defender o nazismo é considerado crime, passível de punição. Talvez, fosse esse um exemplo a ser seguido por nós, no que se refere à apologia da ditadura, da mesma forma que já são considerados crimes no Brasil as violações aos direitos humanos, os preconceitos, o racismo e outros tipos de violência característicos do movimento autoritário.   Enquanto isso não acontece, cabe-nos atuar no campo da conscientização, a fim de mostrar a verdadeira face da ditadura militar no Brasil. Foram mais de 2.000 torturados, mais de 10 mil presos, cerca de 30 mil pessoas com suas carreiras públicas interrompidas e, o mais triste: um saldo de mais de 450 mortos e desaparecidos. E temos que conscientizar, sobretudo, os jovens, mostrando a eles, com fatos, que a pior das democracias é muito melhor que a melhor das ditaduras.    Não podemos permitir que a nossa memória se perca em poeira. É preciso discutir, permanentemente, a grande tragédia advinda da ditadura militar e os desafios da democracia a serem ainda superados. Nesse sentido, não poderia vir em momento mais salutar a série de atividades que, sob a nossa coordenação, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) preparou para marcar os 50 anos do golpe de 1964. Todo e qualquer esforço é fundamental para que a sociedade tenha a medida certa do que, de fato, representou o golpe militar: uma grande aliança empresarial, militar e política, para caçar direitos humanos, perseguir adversários políticos e interromper o processo de construção da democracia e de um país mais justo e igualitário.

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