Semas pode ter bancado festa de Carlão

Evento, ocorrido em 4 de julho, de 2013, coincide com o inicio dos desvios

iG Minas Gerais | Da Redação |

Quando as notas de Adriana Clarindo de Souza, irmã de Carlão, começaram a render cerca de R$ 100 mil por mês, e os repasses em cheques de fornecedores começaram a fomentar o esquema da Semas, Carlão realizou uma grande festa. A dúvida era e ainda é como Carlão, com o salário que tinha na época, teria conseguido o dinheiro para bancar uma festa para centenas de convidados em uma das principais casas de shows da cidade.

A festa, ocorrida em 4 de julho, de 2013, coincide com o inicio dos desvios, que, se não fossem descobertos, poderiam durar até o fim do atual governo. A emissão da primeira nota ocorreu em 13 de junho, quando foram encontrados R$ 34.160. Daí por diante, a média de faturamento com lanches, até o fim de dezembro, manteve-se na casa de R$ 100 mil por mês.

Carlão, durante o período da farra dos convênios, realizou diversas festas e encontros sociais regados a muita bebida. A badalação incluía convites para a “sociedade” betinense e reportagens em revistas. Nas conversas, entrava inevitavelmente a necessidade de eleger deputados de uma nova geração, que seria representada por lideranças emergentes como Léo Contador, o vereador “Sapão” e Carlaile Antônio, o Tatau, filho do prefeito e ouvidor do Departamento de Estrada e Rodagem (DER).

Os nomes eram postos em discursos para centenas de pessoas. Carlão chegou a ensaiar uma festa, com tudo liberado, para mais de 4.000 pessoas, momento em que seria feito o lançamento da pré-candidatura de Tatau a deputado federal. Até mesmo a coordenação da campanha já tinha sido definida, a qual teria como peças-chave Zizi Soares, atual secretária de Governo, e Léo Contador.

Um dos convidados para o aniversário de Carlão, que pediu anonimato, diz ter estranhado o tom político da festa. “Parecia um comício. O filho do prefeito subiu ao palco e colocou seu nome à disposição para disputar uma vaga de deputado. Recebeu uma salva de palmas, puxadas por Carlão e Léo Contador. Para mim, aquilo era um pretexto. Só não desconfiava que tudo o que foi feito não tinha sido bancado com dinheiro do aniversariante”.

Procurado pela reportagem, Carlão negou que tenha feito a festa com recursos públicos e para benefício de Carlaile Antônio. Já o prefeito Carlaile Pedrosa, através da assessoria de imprensa, disse que não se manifestaria.

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