Auditoria externa encontra desvio de recursos na Semas

Para o ex-controlador do município Robspierre Miconi, que entregou relatório a Carlaile, MP e Câmara Municipal, ex-secretário conhecia e autorizava operações irregulares

iG Minas Gerais | Da Redação |

Carlão usou a festa de aniversário, com o apoio de Léo, para promover o nome do filho do prefeito, Carlaile Antônio, para deputado
Reprodução Facebook
Carlão usou a festa de aniversário, com o apoio de Léo, para promover o nome do filho do prefeito, Carlaile Antônio, para deputado

Auditoria realizada por três auditores independentes encontrou irregularidades de mais de R$ 1 milhão em convênios realizados entre a Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas) e o Núcleo Assistencial Irmãos Glacus. O relatório já foi entregue ao prefeito Carlaile Pedrosa (PSDB), que se recusou a recebê-lo das mãos do ex-controlador geral do município Robespierre Miconi.

Por isso, na última sexta-feira (28), o documento foi protocolado na prefeitura, na Câmara e no Ministério Público.

“A partir do momento em que se tem ciência dos desvios, para separar suas responsabilidades, o prefeito, por dever de ofício, deve requerer a devolução dos recursos desviados pelo grupo, que pode ser denunciado por improbidade administrativa e formação de quadrilha. É uma forma de ele não ser solidário às irregularidades. Cabe-lhe, agora, encaminhar documentos ao Ministério Público para as providências e dar disposição ao procurador sobre o pedido de devolução dos valores que tenham sido desviados”, alertou Miconi.

“Apenas em um único convênio, há indícios de irregularidades em mais de R$ 1 milhão dos R$ 1,6 milhão movimentado”, argumentou Miconi.

“O prefeito precisa agir em defesa do patrimônio público, mesmo que esses desvios tenham como autores pessoas estritamente ligadas a ele”, disse.

O ex-controlador geral do município, que alega ter sofrido humilhações ao ser exonerado, chegando a ser escoltado pela Guarda Municipal até sua saída, não se conforma com o tratamento e com as irregularidades encontradas.

Somente em cheques ao portador, explica Miconi, já apareceram R$ 370.736,50 em nome de ex-servidores, como Carlos Clarindo de Souza, o Carlão, e Lourival Moreira, no período que esteve lotado no gabinete do prefeito. Também foram encontrados cheques em nome da irmã de Carlão, Adriana Clarindo, e de financiadores da campanha de Léo Contador.

Lavanderia

Para Miconi, tudo indica que a “padaria” da irmã de Carlão, que nunca funcionou, seria, na verdade, uma “lavanderia” de dinheiro público. Através de Adriana, mais de R$ 600 mil foram registrados em notas emitidas em apenas cinco meses. “Como poderia acontecer isso se, até hoje, a empresa não funciona? Estávamos identificando os ralos por onde saíam muitos recursos públicos. Desbaratamos planos que sangrariam Betim em dezenas de milhões. Informações preliminares nos mostravam que, na Semas, os desvios eram enormes. Não me surpreenderia se fosse mais de R$ 1 milhão por mês”, disse. Os gastos sob suspeita teriam a finalidade de alimentar crianças de baixa renda de núcleos familiares carentes.

Bem informado

Miconi acrescenta ainda que as transações ocorreram com a autorização do ex-secretário da pasta Edson Leonardo Monteiro, o Léo Contador. Em meio às apurações, foi detectada também a suspeita de finalidades eleitorais em alguns desvios, uma espécie de “caixa 2” de campanha.

Apenas em setembro de 2013, Carlão, o locutor que ocupava cargo comissionado e interferia na execução dos convênios, sacou R$ 67 mil.

“Analisamos os documentos e ouvimos fornecedores que afirmaram que Carlão dizia que o pagamento desses cheques era uma espécie de taxa de administração que a Glacus exigia. Mas, como ficamos sabendo, o próprio Carlão e Lourival descontavam os cheques na boca do caixa”.

Segundo o ex-controlador, há suspeitas de uso de formulários e notas fiscais falsas, que podem ter sido produzidos em gráficas clandestinas e sem autorização da receita estadual. “As cotações apresentam indícios de que foram forjadas e seriam executadas em um mesmo computador. Os tipos de letras têm semelhanças com as notas emitidas pela irmã de Carlão. O Ministério Público poderá investigar tudo isso e, se for o caso, apontar crimes como improbidade, peculato, corrupção, falsidade ideológica e formação de quadrilha”.

Ainda faltariam comprovações das entregas dos lanches. Assim como noticiado na última edição de O Tempo Betim, Carlão ameaçava demitir servidores que se recusassem a assinar notas em branco. A reportagem tentou falar com o prefeito, mas ele não quis se pronunciar, nem mesmo através da assessoria de imprensa.

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