Estudos evitariam caos com chuvas

Só uma obra foi concluída desde 2012 na capital

iG Minas Gerais | Bárbara Ferreira |

Chuva deixou estragos e sujeira na avenida Francisco Sá, no bairro Prado
PEDRO GONTIJO / O TEMPO
Chuva deixou estragos e sujeira na avenida Francisco Sá, no bairro Prado

Desde 2012, foi concluída apenas uma das intervenções planejadas pela Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) para evitar alagamentos e inundações. Atualmente, o órgão está com 21 obras em andamento ou em fase de projetos. Segundo especialistas ouvidos por O TEMPO, investir na conclusão das intervenções e em estudos aprofundados sobre a dinâmica das inundações e o sistema de drenagem em Belo Horizonte pode ajudar a evitar os transtornos causados pelas chuvas.

Presidente do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia de Minas Gerais (Ibape), Frederico Correia Lima Coelho afirma que aumentar a capacidade da rede de drenagem é fundamental para acabar com os principais pontos de alagamentos na capital. “As autoridades sabem os locais onde há demanda pelas obras. Se elas não forem feitas, inundações vão voltar a acontecer sempre que houver precipitações elevadas”, explica o engenheiro civil e eletricista.

O especialista chama atenção para a avenida Prudente de Morais, no bairro Santo Antônio, na região Centro-Sul, ponto recorrente de alagamentos – e onde uma obra está em andamento, segundo a prefeitura. “É preciso aumentar o canal (de escoamento) para dar mais vazão. Se isso não for feito, o cruzamento da avenida com a rua Joaquim Murtinho vai continuar alagando ano a ano.”

Além da necessidade de concretizar as obras em andamento, entender o funcionamento do sistema de drenagem da cidade é fundamental, segundo a engenheira civil Priscila Moura, mestre em saneamento, meio ambiente e recursos hídricos. “A prefeitura tem se preocupado muito mais em investir em obras, deixando a parte dos estudos um pouco de lado. Mas obras e estudos devem andar juntos.”

Resposta. A Sudecap informou que o Plano Diretor de Drenagem – o programa Drenurbs – viabilizou a elaboração de estudos sobre a modelagem das bacias do Ribeirão Arrudas e da Onça, da Carta de Inundações e dos Núcleos de Alerta de Chuvas, além da colocação de placas educativas para alertar sobre inundações, entre outras ações. A superintendência informou que R$ 1,33 bilhões já foram investidos em intervenções concluídas – 24 delas em 2011 e 2010 – e outros R$ 1,02 bilhões foram captados para outros empreendimentos.

A superintendência explica que o processo algumas vezes é demorado devido à complexidade das obras, ao alto custo e à necessidade de passar por processos como licitação e captação de verba antes de iniciar as obras.

Impactos

Devido aos vários estragos causados pela forte chuva que atingiu a capital mineira na tarde de anteontem, quem circulou pelas principais áreas impactadas na manhã de ontem conviveu com a sujeira levada pela água. Uma das avenidas mais prejudicadas foi a Bernardo Vasconcelos, no bairro Ipiranga, na região Nordeste de Belo Horizonte.

Primeira morte

Foi achado na manhã de ontem pelo Corpo de Bombeiros o corpo de Womar Gonçalves Caldeira, 43, a primeira morte em decorrência da chuva na capital neste ano, segundo a Defesa Civil. A vítima se afogou no córrego do Onça, no bairro Primeiro de Abreu, na região Nordeste, após pular no leito durante a chuva. A família nega que Caldeira tentou se matar.

Chuva intensa

Para a engenheira civil Priscila Moura, a cidade já teve precipitações maiores que a chuva de anteontem e o córrego Cachoeirinha, no bairro Ipiranga, na região Nordeste, não devia ter transbordado. Ela acredita que a inundação ocorreu devido à urbanização da bacia. Ainda segundo Priscila, esse tipo de chuva acontece na cidade a cada cinco anos, em média.

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