CNBB diz que golpe militar no país foi “erro histórico”

Entidade diz que não se omitiu, mas, aos poucos, percebeu excessos do regime

iG Minas Gerais |

Câmara. Audiência, ontem, na Comissão de Direitos Humanos, debateu revisão da Lei de Anistia
Geraldo Magela
Câmara. Audiência, ontem, na Comissão de Direitos Humanos, debateu revisão da Lei de Anistia

Brasília. Na esteira dos 50 anos do golpe militar, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) fez mea culpa e declarou que o golpe – apoiado por lideranças eclesiásticas – foi um “erro histórico” e que nem todos os danos do regime militar foram devidamente reparados. “Se é verdade que, no início, setores da igreja apoiaram as movimentações que resultaram na chamada ‘revolução’ com vistas a combater o comunismo, também é verdade que a Igreja não se omitiu diante da repressão tão logo constatou que os métodos usados pelos novos detentores do poder não respeitavam a dignidade da pessoa humana e seus direitos.”

Segundo nota divulgada pela entidade, as gerações pós-ditadura devem se manter atuantes na defesa da democracia. A entidade cita a Comissão Nacional da Verdade, criada pelo governo federal para apurar as violações aos direitos humanos durante a ditadura militar, como um instrumento para “pagar essa dívida histórica” com as vítimas do regime.

“Aos poucos, a Igreja foi percebendo que a finalidade desse movimento, desse golpe, que foi para preservar o país do comunismo, foi tomando outra direção – tortura, arbitrariedade, repressão a todas as formas de expressão. Com o passar do tempo, a igreja foi percebendo seus excessos, seus desvios, então a Igreja se opôs”, afirmou o cardeal Raymundo Damasceno, presidente da CNBB.

Lei de Anistia. Em debate na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), ontem, a deputada Luíza Erundina (PSB-SP) criticou a presidente Dilma Rousseff, por se mostrar contrária a uma revisão na Lei da Anistia (6.683/1979). “A postura da presidente Dilma é de leniência. Por que esse receio (de rever a lei)? Não entendo, sobretudo para uma pessoa que pagou tão caro na época”, disse a parlamentar, referindo-se à tortura sofrida pela chefe do Executivo na ditadura.

Para a deputada, a lei, de 1979, não foi fruto de acordo, como havia dito a presidente, mas é, na verdade, uma lei de auto-anistia, aprovada pelos próprios militares, aqueles “algozes que cometeram crimes bárbaros”.

Saúde

A favor. A CNBB também se manifestou a favor do projeto de lei de iniciativa popular conhecido por Saúde + 10, que determina o repasse de 10% das receitas brutas da União para a saúde.

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