Cantos transcritos em intimidade vão ao palco

Dupla de cantores celebra amizade no Chevrolet Hall

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

Clássicos. O compositor Geraldo Azevedo sob ao palco cantando seus sucessos como “Dia Branco”
Luciano oliveira / divulgação
Clássicos. O compositor Geraldo Azevedo sob ao palco cantando seus sucessos como “Dia Branco”

Seria possível desconfiar que as conversas com Elba Ramalho e com Geraldo Azevedo para esta reportagem tivessem sido previamente combinadas. Apesar de terem sido feitas separadamente, por telefone, as entrevistas pareciam, de alguma forma, conectadas. Os elogios se completavam assim como a concepção sobre música e sobre as respectivas carreiras se encaixavam. Mas não houve nenhum conchavo por trás. Essa impressão apenas mostra a química dos artistas, que se apresentam hoje, às 22h, no Chevrolet Hall. Os dois se conheceram profissionalmente ainda na década de 70 e, desde então, desenvolveram uma admiração que passa tantos pelos palcos quando pela vida pessoal. “Ele é um grande amigo e não consigo traduzir em palavras nossa amizade e intimidade musical. Reconheço um trabalho do Geraldo facilmente, mesmo porque ele é um excelente violonista”, conta Elba, lembrando que os dois já moraram juntos no Rio, após o término de um casamento do amigo. Do outro lado, Geraldo confirma a parceria de sucesso com um fato sobre a turnê de shows que começa na capital mineira e segue para outros Estados. “Nossa proximidade é tão grande que não nos preocupamos em ensaiar muito. Vamos nos encontrar na quinta (ontem) para os acertos finais e pronto. Já temos um ótimo entrosamento e conseguimos mostrar isso no show”, relata. É com essa confiança e com muita energia que canções memoráveis como “Morena Linda Flor”, “Canção da Despedida” e “Dia Branco” passam pelo repertório da noite. Esta última foi composta por ele e interpretada por ela. “Eu acredito que a Elba é minha maior intérprete”, diz Geraldo. A crença é certeira. Elba tem colecionado sucessos escritos pelo amigo, desde que o conheceu em 1974, quando atuava na peça “A Chegada do Lampião do Inferno”. Na época, ela ainda não era famosa e, mesmo hoje, com suas músicas reconhecidas e cantadas nos quatro cantos do país, a cantora faz parte de um grupo que, não precisa estar constantemente na mídia para ter uma agenda de shows cheia. “Chega a um ponto da carreira que você não precisa mais ficar correndo atrás (de divulgação). Antigamente, era necessário estar no centro das atenções, aparecer no ‘Domingão do Faustão’, quando um disco saia. Hoje, estou tranquila com relação a isso. Faça uma média de três a quatro shows por semana, e as pessoas têm segurança em me chamar para o Carnaval de Recife todos os anos para fazer um dos melhores shows”, reflete a cantora. Se Elba desfruta desse prestígio como cantora, Geraldo passa por situação similar como compositor. “Eu me sinto gratificado em ver que algumas de minhas canções vão ficando para o cancioneiro brasileiro. Ainda mais porque estamos num momento em que as músicas estão perdendo um pouco do valor e são consumidas muito rapidamente. Além disso, acho que estão cada vez mais sem poesia”, opina Azevedo. Outro assunto que os dois cantores concordam é em relação a Belo Horizonte. Elba se apresentou pela última vez na Virada Cultural, em um emocionante show com a Orquestra Sinfônica Arte Viva, e alegre-se em estar na cidade. “Eu gosto muito dos mineiros, uai, inclusive até casei com um”, brinca. “O povo é muito carinhoso e sempre que vou aí sou muito bem recepcionada”. Da cidade, Geraldo Azevedo lembra dos artistas que influenciaram seus trabalhos de forma positiva. “Beto Guedes e Toninho Horta são grandes inspirações. E outra: Belo Horizonte foi a primeira cidade que fiz um show em turnê, na minha vida. Não dá para esquecer isso”, diz. Serviço. Elba Ramalho e Geraldo Azevedo. Hoje, às 22h, no Chevrolet Hall (avenida Nossa Senhora do Carmo, 230, Savassi, 4003-5588). 1º Lote: R$ 70 (inteira) e R$ 35 (meia).

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