Angústia trazida pela passagem do tempo

Em “O Tempo e Os Conways”, Vera Fajardo dirige sua filha Júlia pela primeira vez. Peça é produzida por José Mayer

iG Minas Gerais | GUSTAVO ROCHA |

Com traços filosóficos, peça toca em assuntos existenciais ao longo da vida
GUGA MELGAR
Com traços filosóficos, peça toca em assuntos existenciais ao longo da vida

Questões existenciais revistas em um intervalo de vinte anos. As mesmas pessoas, suas vidas, seus desejos revisitados. A felicidade enquanto horizonte, mirada por todos – mas alcançada por todos eles? São essas algumas das situações propostas pelo dramartugo inglês no espetáculo “O Tempo e os Conways”, montagem do Rio de Janeiro que chega a Belo Horizonte para se apresentar na Funarte. “Você vai na sua raiz mais inteira. O que você nutre para seu futuro? Isso é comum a todo ser humano. Trata-se de uma viagem meio metafísica, filosófica”, garante a diretora Vera Fajardo.

Conforme relata a diretora, a trama propõe uma viagem no tempo. Tudo começa no aniversário de Kay, quando ela recebe alguns amigos em casa. Em seguida passam-se vinte anos, e os mesmos personagens estão lá ,com suas questões envelhecidas em mais uma festa de aniversário.

Para levar ao palco essa passagem de tempo, a diretora optou por não utilizar de artifícios óbvios, como maquiagem e outros recursos de caracterização.“Esses truques já estão fora de moda. O meu fascínio enquanto diretora é dirigir atores. Eu me via em cada um deles, e os dirigia como eu queria ver e fazer como atriz. Por isso nosso processo de ensaio foi quase de seis meses. Eles precisavam de um mergulho maior”, explica.

A peça fez extensa temporada na capital carioca, onde se abrigou na Casa da Gávea, um casarão que serviu como cenário da festa de aniversário de Kay. Interpretada por Júlia Fajardo, filha da diretora com o ator José Mayer, ela é a personagem central do espetáculo.

“O teatro é onde o ator melhor exercita sua humildade. É um prazer ver a disciplina que ela tem. A relação com ela nos ensaios sempre foi profissional. Éramos diretora e atriz. Nos bastidores da vida, a gente se abria como mãe e filha”.

Serviço. “O Tempo e os Conways”. Hoje e amanhã às 20h, e domingo, às 19h, na Funarte (rua Januária, 68, Floresta). Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)

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