Uma maratona autobiográfica

Vencedor de melhor atriz e da Palma de Ouro em Cannes, “As Melhores Intenções” será exibido em versão inédita

iG Minas Gerais | daniel oliveira |


Pernilla August, premiada em Cannes, e Samuel Fröler vivem Anna e Henrik
FCS
Pernilla August, premiada em Cannes, e Samuel Fröler vivem Anna e Henrik

Poucos cineastas foram tão sinceros sobre a importância que suas relações pessoais – especialmente com o pai e a mãe – tiveram em sua filmografia quanto Ingmar Bergman. Quem quiser dar uma espiada nesses anos formativos do diretor sueco tem uma chance imperdível hoje, a partir das 14h, no Cine Humberto Mauro, com a exibição de “As Melhores Intenções”.

Inédito no Brasil, o corte exibido na mostra “Instante e Eternidade” é o integral da minissérie de TV, com cinco horas e meia de duração. Escrito por Bergman, o roteiro acompanha o início do casamento dos pais do cineasta, Henrik (Samuel Fröler) e Anna (Pernilla August). Considerando o material muito dolorido e pessoal, o sueco concedeu a direção da obra ao dinamarquês Bille August, que havia vencido o Oscar de filme estrangeiro por “Pelle, o Conquistador”.

Henrik, pai do diretor, era um pastor luterano severo e de origens humildes, que punia Ingmar trancando-o em um armário quando ele fazia xixi na cama. Anna, sua mãe, era uma mulher educada e de família rica que, apaixonada, se muda para o norte da Suécia com o marido, mas vai se tornando cada vez mais frustrada com a pobreza e a monotonia cultural do lugar.

Eventualmente, Henrik vai trabalhar na paróquia de um hospital psiquiátrico. A convivência de Ingmar com a loucura e a morte ali vai não só fazê-lo questionar a religião e o Deus do pai, mas marcará fortemente também os temas que serão explorados em seu cinema.

Além disso, o casamento problemático dos pais vai se refletir na própria vida pessoal do diretor. Bergman se casou cinco vezes (fora o relacionamento com Liv Ullmann, com quem nunca se casou) e teve nove filhos. “Eu sei que fui um péssimo pai”, ele disse a um deles. “Pai? Você não foi um pai de jeito nenhum”, recebeu como resposta.

“Crianças de Domingo”, de 1992, e “Encontros Privados”, de 1996, completam a chamada trilogia biográfica do cineasta. O primeiro foi dirigido pelo filho Daniel Bergman, e o segundo pela parceira e amiga Liv Ullmann.

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