Willian explica transferência polêmica envolvendo Chelsea e Tottenham

Meia brasileiro também disse que poderia ter deixado o Shakhtar antes e que não se arrepende de ter ido para o Anzhi

iG Minas Gerais | GABRIEL PAZINI* |

Willian quer fazer história no Chelsea e viver a era mais gloriosa da história do clube
Reprodução/Facebook
Willian quer fazer história no Chelsea e viver a era mais gloriosa da história do clube

A transferência de Willian do Anzhi para o Chelsea ficou marcada por uma polêmica. Segundo a imprensa inglesa, o meia brasileiro estava acertado com o Tottenham, rival de cidade, antes de iniciar as conversas com o time azul de Londres. No entanto, o jogador da seleção tupiniquim acabou se transferindo para os Blues, e a escolha de Willian até hoje rende reclamações dos torcedores dos Spurs e provocações dos fãs do Chelsea. O meia, porém, garante que não estava apalavrado com a equipe de White Hart Lane e que escolheu o melhor para a sua carreira.

Em entrevista exclusiva ao Super FC, Willian explicou a polêmica envolvendo sua ida para o time azul de Londres e falou da temporada com o Chelsea. O meia ainda comentou sobre o passado: os desafios no início da carreira, as pessoas importantes, e os tempos de Shakhtar e Anzhi.

Confira a segunda parte do bate-papo exclusivo de Willian com a reportagem:

Como é formar o trio de meias ofensivos do Chelsea, que geralmente é titular, com Hazard e Oscar?

A gente está se entrosando muito bem, vem fazendo bons jogos e indo bem. O importante é irmos pegando esse entrosamento rápido, mas não é só eu e nós três, o Schürrle também vem jogando muito bem, o Salah entrou muito bem contra o Arsenal e fez gol... Acho que não tem titular absoluto, o Mourinho coloca todo mundo pra jogar.

 

O Hazard tem feito uma temporada excelente e, para muita gente, ele tem potencial para chegar no nível de Messi e Cristiano Ronaldo. Você acha que ele pode mesmo alcançar esse nível e, quem sabe, ser o melhor do mundo futuramente?

Sem dúvida nenhuma! Ele tem muita qualidade e potencial. Se ele colocar na cabeça dele que ele pode ser [o melhor do mundo], ele conseguirá sim.

 

Quando você chegou ao Chelsea, o Schürrle estava muito bem e formava o trio de meias ofensivos com Hazard e Oscar. Você ficou apreensivo e com receio de ficar na reserva?

Não fiquei apreensivo não. Tinha em mente conquistar o meu espaço, sem desmerecer meus companheiros, mostrar meu futebol nos treinamentos e conquistar o meu lugar no time. Trabalhei duro, tive foco e estou muito feliz pelo meu momento no Chelsea.

 

E como foi a negociação com o Chelsea?

Rolaram muitas especulações de que eu estava certo com um clube, certo com outro, mas eram só especulações. Foi uma negociação normal e eu acertei com o Chelsea, que era o melhor para mim.

 

E como se deu a ida para o Chelsea ao invés do Tottenham? Segundo a imprensa inglesa, você já estava apalavrado com os Spurs.

Existiu uma conversa normal com alguns clubes da Inglaterra, o Tottenham também, mas só negociações e conversas normais, não tinha nada assinado, nem fechado, nem apalavrado. Escolhi o melhor para mim, que é o Chelsea.

 

[Pergunta feita antes do duelo desta quarta-feira com o PSG, vencido pelos franceses por 3 a 1] Como você analisa o confronto das quartas de final da Champions League com o PSG?

É difícil, muito difícil. O PSG tem jogadores de muita qualidade. Serão jogos muito duros e teremos que dar o nosso melhor.

 

[Pergunta feita antes do duelo desta quarta-feira com o PSG, vencido pelos franceses por 3 a 1] Vocês acreditam que o Chelsea pode brigar pelo título da Champions League? O Chelsea tem um excelente elenco e time, mas é o suficiente para vencer a Champions?

Nosso grupo é forte, mas na Champions tem vários times e jogadores de qualidade. Claro que é difícil a briga pelo título, mas vamos batalhar para tentar chegar até a final.

 

[Pergunta feita antes do duelo desta quarta-feira com o PSG, vencido pelos franceses por 3 a 1] Com você, Oscar, Hazard, Schürrle e outros jogadores, a base do time titular do Chelsea, é muito jovem, mas já experiente e vencedora. Vocês acreditam que o Chelsea pode evoluir ainda mais e ficar ainda mais forte nos próximos anos para, quem sabe, conquistar muitos títulos e ter a era mais vitoriosa da história do clube?

É um objetivo nosso, né, de poder fazer história e estar em um clube sempre conquistando títulos. Se puder, queremos começar já nessa temporada, conquistando o Campeonato Inglês e a Champions também, que vamos lutar para chegar à final.

 

Como você vê a disputa pelo título da Premier League? Qual, para você, é o principal adversário do Chelsea na luta pelo caneco?

É difícil. A Premier League é um campeonato muito difícil. Até a rodada final, vários clubes podem brigar pelo título. Liverpool, Arsenal e Manchester City estão na briga com a gente. O City ainda tem dois jogos a menos, então é difícil falar quem vai ser campeão, mas a briga vai ser boa até o final, espero que possamos conquistar o título.

 

Como está a expectativa de vocês para o jogo contra o Liverpool, em Anfield Road? Pode ser o jogo decisivo para o Chelsea.

Pensamos primeiro nos jogos que estão por vir. Temos que caminhar passo a passo em busca dos nossos objetivos. Quando enfrentarmos o Liverpool, vamos tentar o resultado positivo.

 

Você queria ou acha que poderia ter deixado o Shakhtar Donetsk antes para jogar em uma liga mais forte?

Acho que poderia ter saído antes sim. O Chelsea e outras equipes já tinham feito algumas ofertas por mim, mas o Shakhtar não liberava. Eu queria sair, tinha objetivos pessoais de jogar em um grande clube. Só que as coisas aconteceram e deram certo. Hoje sou muito feliz no Chelsea.

 

Você julga a transferência para o Anzhi, ao invés de um clube mais forte, de uma liga mais forte, como um erro, ou acha que fez o certo?

Acho que não. Não me arrependo de ir para o Anzhi, foi o único clube que pagou minha multa rescisória... Então sou muito grato ao Anzhi e pelo tempo que joguei por lá.

 

O Anzhi passou de um time com muito investimento e com um projeto ambicioso, para uma equipe com menos investimento e com papel de figurante mesmo no futebol russo. Para você que jogou pelo clube, o que deu errado e não funcionou no projeto?

O projeto era grandioso, mas foram problemas pessoais e de saúde do presidente, que diminuíram o investimento e não fizeram o projeto vingar.

 

Como foi trabalhar com Eto'o no Anzhi e estar de novo junto com ele no Chelsea? É diferente? Na Rússia ele era rei no Anzhi e no Chelsea não é bem assim.

Não. O Eto'o é um grande jogador e foi muito bom trabalhar com ele no Anzhi e agora no Chelsea, tenho uma amizade muito boa com ele, e ele tem marcado gols e decidido jogos para a gente.

 

Qual é o grande momento de superação da sua vida e da sua carreira?

O mais difícil foi o começo, né, quando queria ser jogador, de ir pro treino e a família me ajudar. Eu não tinha condições de ir treinar, mas a família dava um jeito. Depois, quando você vira profissional, a coisa vai melhorando e hoje sou grato a todos e graças a Deus posso ajudar a minha família.

 

Quais são as pessoas mais importantes na sua vida e na sua carreira?

Meu pai, minha mãe, minha irmã e minha avó, que infelizmente faleceu e foi uma pessoa que me ajudou muito. Sou jogador profissional hoje graças à eles.

 

*com supervisão de Leandro Cabido