Hatch com foco renovado

Ford Focus mostra bons atributos na versão SE Powershift, equipada com câmbio automatizado e motor 1.6 16V; atual geração mantém a dirigibilidade como destaque, mas consumo foi mais alto que o esperado

iG Minas Gerais | Alexandre Carneiro |

Em outros países, o Focus acaba de receber uma reestilização frontal
Alexandre Carneiro
Em outros países, o Focus acaba de receber uma reestilização frontal

As versões top dos automóveis funcionam como vitrines: normalmente, elas são escolhidas para aparecer nos materiais publicitários e para ostentar equipamentos exclusivos, mas acabam conquistando poucos pontos percentuais no mix de vendas da linha. Cabe às configurações básicas e intermediárias a função de dar volume comercial aos veículos.

No caso do Ford Focus, o pacote com mais potencial para atender uma ampla gama de possíveis compradores é a SE 1.6 Powershift, que une motor 1.6 16V flex, câmbio automatizado de dupla embreagem e seis marchas e lista de itens de série completinha, que inclui controles eletrônicos de estabilidade e tração, quatro airbags (frontais e laterais), ar -condicionado manual, assistente de partida em rampa, sistema de monitoramento da pressão dos pneus, bancos revestidos parcialmente em couro, freios ABS com EBD, rodas de liga leve aro 16, sensores de estacionamento traseiros e CD player com leitor MP3, entradas USB e para iPod, conexão Bluetooth e comandos de voz com funções de áudio e telefone.

O preço do Focus SE 1.6 Powershift o coloca exatamente no meio da gama: segundo a tabela da Ford, a versão sai por R$ 70.690, ante R$ 61.590 do básico S 1.6 manual e R$ 80.790 do top 2.0 Titanium. O valor está longe de ser uma pechincha, mas ainda situa-se na média do segmento de hatches médios. Entre as opções da categoria, o modelo da Ford é uma das mais atuais em termos de projeto. O único concorrente tão moderno quanto ele é o Golf, que ganhou uma geração inteiramente nova no ano passado.

Projeto moderno O projeto recente do Focus fica evidente para o motorista, que tem a sensação de “vestir” o veículo. O banco é ergonômico e confortável, mas ao mesmo tempo apoia bem o corpo em curvas, pois tem abas laterais generosas. O volante, com quatro raios, como o das outras gerações do modelo, tem ótima pegada. Tanto a direção quanto o assento são reguláveis em altura, sendo que o segundo também é ajustável em profundidade. Os instrumentos, analógicos, têm leitura fácil, os comandos do painel têm boa acessibilidade, e a visibilidade é boa para todos os lados.

O acabamento interno é acima da média. O painel é confeccionado com material emborrachado, macio ao toque, e exibe peças em plástico preto brilhante e detalhes que imitam aço escovado. Os arremates são corretos, sem folgas. Nas portas, há fartas porções de couro. Já o espaço interno é bom, mas não ótimo. Quatro adultos viajam sem aperto, mas considerando as dimensões externas da carroceria (o Focus hatch mede expressivos 4,36 m de comprimento) seriam desejáveis vãos maiores para as pernas dos passageiros do banco traseiro. Ao menos todos os ocupantes contam com a proteção de encostos de cabeça e cintos de segurança de três pontos. O porta-malas, com 316 l, é um tanto acanhado, principalmente frente a alguns concorrentes, que têm bagageiros com cerca de 400 l de capacidade. Ao menos há vários porta-objetos espalhados pela cabine, que acomodam pequenos volumes.

Bom para quem gosta de dirigir

Desde a primeira geração, o Focus se destacou por oferecer ótima dirigibilidade. Essa característica, que acabou se tornando uma das mais marcantes do modelo, está ainda mais apurada no modelo atual. Graças à suspensão independente nas quatro rodas (do tipo McPherson na dianteira e Multilink na traseira), com ótima calibragem, o hatch é um verdadeiro devorador de curvas, esbanjando estabilidade em qualquer situação. E o foco na dinâmica não comprometeu a suavidade ao rodar, pois o conjunto absorve bem as imperfeições da pavimentação da via.

Os outros componentes mecânicos trabalham em sintonia e também colaboram para o comportamento do hatch da Ford: A direção com assistência elétrica é bastante progressiva, proporcionando leveza em manobras e firmeza em alta velocidade. Os freios, a disco no eixo dianteiro e a tambor no traseiro, mostraram-se igualmente eficientes, imobilizando o veículo em espaços curtos e sem desvios de trajetória.

Desempenho O motor 1.6 16V, da família Sigma, é capaz de gerar bons 135/131 cv de potência a 6.500 rpm e 16,7/16,2 kgfm de torque a 3.500 rpm, com etanol e gasolina, na ordem. Apesar de o modelo ter elevados 1.344 kg de peso, o desempenho é correto. É claro que as versões 1.6 não têm a mesma vivacidade que as equipadas com o bloco 2.0, mas mesmo assim há bom fôlego em todas as faixas de rotação. Vale lembrar que o propulsor tem comandos de válvulas variáveis, que ajudam a distribuir o torque aos giros mais baixos, além de sistema de aquecimento dos bicos injetores, que dispensa o tanquinho de partida a frio, mas utiliza correia dentada, diferente do antecessor Zetec Rocam, que usava corrente.

O câmbio também é eficiente, com relações bem-escalonadas e operação suave. A desejar, só a programação do software, que às vezes faz mudanças de marchas em situações indesejáveis. A transmissão também falha ao não dispor de paddle-shifts no volante. Para operar manualmente o sistema, é preciso manusear botões instalados na alavanca. O médio da Ford só não se mostrou tão eficiente no consumo: com gasolina no tanque, o modelo registrou médias de 8 km/l na cidade e 12,2 km/l na estrada, números abaixo do que se espera para a cilindrada do veículo. 

Reestilização em outros países

A atual geração do Focus foi lançada no Brasil no ano passado, mas já existe na Europa e na América do Norte desde 2011. Nesses mercados, o modelo da Ford acabou de passar por uma reestilização, que alterou para-choques, grade e faróis. Porém, como no mercado nacional o modelo ainda é novidade, essas mudanças só deverão ser adotadas a partir de 2015.

Esse atraso no lançamento da atual geração do Focus acabou indo de encontro ao plano intitulado “One Ford”, que prevê a mesma linha de veículos da marca para todos os mercados. Ainda que as modificações sejam mais estéticas que funcionais, o Brasil e outros países da América do Sul permanecerão com um produto defasado em relação aos continentes mais desenvolvidos.

Concorrentes A linha Focus é produzida na fábrica da Ford em General Pacheco, na Argentina, e chega ao Brasil beneficiada pelos acordos comerciais do Mercosul. A Ford oferece três anos de garantia para o modelo. Atualmente, os principais concorrentes da versão SE 1.6 Powershift são o Volkswagen Golf Comfortline 1.4 TSI DSG, por R$ 73.990, o Chevrolet Cruze LT 1.8 automático, por R$ 75.590, o Fiat Bravo Absolute 1.8 Dualogic, por R$ 65.180, e o Peugeot 308 Allure 2.0 automático, por R$ 68.990.

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