Bovespa sobe com notícia de pesquisa desfavorável a Dilma

Intervenção do governo na setor de energia e na Petrobras desagrada investidores na Bolsa

iG Minas Gerais | Juliana Gontijo |

Respiro. Petrobras é uma das empresas que perde interesse por parte dos investidores, por causa de intervenções do governo federal
Petrobras/Divulgação
Respiro. Petrobras é uma das empresas que perde interesse por parte dos investidores, por causa de intervenções do governo federal

A alta do Ibovespa toda vez que a presidente Dilma Rousseff cai nas pesquisas, seja na avaliação de seu governo ou como candidata, é segundo especialistas, um recado do mercado de que a política econômica adotada precisa mudar. “Acabou a lua de mel do mercado com a Dilma; o mercado verificou que o governo foi mais ideológico do que pragmático”, observa Reginaldo Nogueira, professor de economia do Ibmec MG. Para ele, um dos erros é o desrespeito aos contratos no que se refere ao setor elétrico, com as medidas para reduzir o preço da energia e que provocou um rombo nas empresas. “E não foi só. O preço da gasolina foi mantido baixo artificialmente, prejudicando a Petrobras. Tudo isso criou insegurança e instabilidade no mercado”, diz.

Nesta quarta-feira, o “mercado voltou a dar o seu recado”, rumores de queda de Dilma na nova pesquisa do Datafolha, que será divulgada sábado, impactou no Ibovespa, que fechou com alta de 2,85%, com 51.701 pontos, melhor pontuação desde 29 de novembro de 2013, quando chegou a 52.482 pontos.

E não foi a primeira vez que o desempenho da chefe do Executivo federal impactou no principal índice da Bolsa no país. No dia 27 de março, quando foi divulgada pesquisa de aprovação do governo da Confederação Nacional da Indústria (CNI)/Ibope, que mostrou queda de 7 pontos percentuais da administração de Dilma, o Ibovespa subiu 3,5%, a 49.646 pontos, sua maior valorização em termos percentuais desde 2 de setembro de 2013, quando avançou 3,65%. Naquele dia, as ações das empresas administradas pelo governo tiveram altas expressivas, conforme Nogueira. A Petrobras, com valorização de 8%, e a Eletrobras, com 10%. As ações do Banco do Brasil tiveram alta de 6%.

O coordenador do curso de ciências econômicas da Newton Paiva, Leonardo Bastos Ávila, ressalta que não só o mercado desaprova a política econômica do governo federal. “A agência de classificação de riscos Standard and Poor’s reduziu a nota de crédito da economia brasileira”, observa. A nota brasileira caiu de BBB para BBB- (menos).

Ele ressalta que o possível racionamento de energia mostra alguns dos erros do governo. “Não é só a seca, faltou investimento no setor”, diz. Para Ávila, a alta na Bolsa com a queda da presidente nas pesquisas mostra que Dilma e sua política econômica “marcada pelo populismo” não transmite segurança. “A perspectiva de mudança está sendo avaliada como positiva”, diz. Ele afirma que a tendência é de que os recuos de Dilma nas pesquisas favoreçam altas na Bolsa, com destaque para as empresas estatais ou de capital misto (com participação do governo federal).

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