Aparelho implantado no crânio tem sucesso contra epilepsia

Aprovado nos EUA recentemente, dispositivo ainda tem custo elevado

iG Minas Gerais | Catherine Saint Louis |

Procedimento. A cirurgia de implantação exige que a pessoa fique ao menos dois dias no hospital
Jessica Kourkounis / The New Yor
Procedimento. A cirurgia de implantação exige que a pessoa fique ao menos dois dias no hospital

Nova York, EUA. Durante a maior parte de sua vida, Kevin Ramsey, 36, viveu tendo ataques epilépticos que medicamentos não conseguiam controlar. Ao menos uma vez por mês, ele teria um colapso, inconsciente e se debatendo violentamente, às vezes chegando a se machucar. Após episódios ocorridos no trabalho, ele lutou para se manter empregado. Dirigir se tornou muito perigoso. Aos 28 anos, ele vendeu seu caminhão e se mudou para a casa da mãe.

Casos incuráveis de epilepsia raramente têm finais felizes, mas atualmente Ramsey não sofre mais de ataques. Um novo dispositivo movido a bateria, implantado em seu crânio, com fios que passam por seu cérebro, monitora a atividade elétrica cerebral e interrompe ataques iminentes. À noite, ele passa uma espécie de detector em sua cabeça e faz o download dos dados cerebrais do dispositivo para um laptop, para avaliação de seus médicos.

“Eu ainda tenho ataques internamente, mas meu estimulador está interrompendo todos eles”, disse Ramsey, cujas mãos tremem por conta de um dos três medicamentos que ainda precisa tomar. “Eu posso fazer coisas que antes não podia fazer, como ir sozinho à loja e comprar meus mantimentos. Antes, não estaria apto a dirigir”.

Recém-aprovado pela Food and Drug Administration (FDA, órgão regulamentador nos EUA), o tão esperado dispositivo, chamado Sistema RNS, tem o objetivo de reduzir ataques epilépticos e melhorar a vida de cerca de 400 mil norte-americanos que sofrem de epilepsia impossível de ser tratada com remédios ou cirurgia cerebral. “Essa é a primeira do que eu acredito ser uma nova geração de terapias para epilepsia”, disse o doutor Dileep R. Nair, chefe do setor de epilepsia em adultos na Clínica Cleveland e pesquisador do RNS da NeuroPace. “Trata-se de providenciar terapia local. O tecido não é extraído; o cérebro é mantido intacto. E não é como um medicamento, cuja abordagem é menos específica”.

Dia a dia. Por não terem opções de tratamento, pessoas com epilepsia incurável frequentemente têm dificuldade para se manter no emprego ou encontrar cônjuges. Elas podem se machucar repetidamente, sofrer de quedas a queimaduras; sua taxa de mortalidade é de duas a três vezes maior do que a da população em geral. “Existem pessoas que estão simplesmente desesperadas pelo próximo tratamento”, disse Janice Buelow, vice-presidente de pesquisa da Epilepsy Foundation.

Com seu neuroestimulador, Ramsey, que gosta de pescar e contar piadas, está morando sozinho em um trailer. Ele dirige para ir a consultas no Centro Médico Dartmouth-Hitchcock. Ultimamente, está procurando trabalhos de meio período. Mas é cauteloso. “Devido à minha epilepsia, muitas pessoas não querem assumir esse risco”, ele diz. Mas seu tratamento tem sido bem-sucedido.

Antes de receber um estimulador, em 2008, Andrew Stocksdale, 32, de Mansfield, Ohio, tinha cerca de 20 crises por dia. Em contrapartida, no mês passado, teve três. Atualmente ele é casado, trabalha período integral e tem um filho recém-nascido. “É como se agora minha vida fosse um quebra-cabeça completo”, Stocksdale disse. “Antes eu tinha medo de ter um filho. Eu tinha medo de cair. Eu não podia segurá-lo”.

Mas um obstáculo para o dispositivo é o custo. O RNS, com o equipamento necessário para fazer o download dos dados, custa US$ 40 mil (R$ 90) – além da cirurgia e o diagnóstico. Nos EUA, as seguradoras pagaram a maioria dos gastos para mais ou menos cinco casos.

Indicação

Casos. O aparelho conta ataques, que precisa ter a bateria trocada após dois ou três anos de uso, funciona apenas para pessoas cujas crises se iniciam em uma ou duas partes do cérebro.

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