Pressão por candidatura

iG Minas Gerais |

A derrapada da presidente Dilma Rousseff nas últimas pesquisas eleitorais, com um cenário de queda de popularidade, aliada à crise da Petrobras, e a reação positiva do mercado financeiro a essa oscilação no quadro eleitoral – até outro dia aparentemente imutável – parecem ter dado novo ânimo à oposição. Nesse novo quadro momentâneo, o senador e presidenciável tucano Aécio Neves retoma a pressão derradeira para o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), se lançar candidato ao governo do Estado. A terceira via – Fernando Pimentel (PT) e Pimenta da Veiga (PSDB) já são pré-candidatos – abriria a possibilidade de um palanque presidencial em Minas em um eventual segundo turno, mesmo com uma derrota do candidato oficial do partido em nível estadual. Hoje Aécio e Marcio Lacerda se reúnem para definir ou não a candidatura. O prazo máximo para Lacerda deixar a administração municipal, caso seja candidato, é sexta-feira. A pressão é grande e corroborada por outro presidenciável e presidente nacional do PSB, o governador Eduardo Campos. Até ontem, o prefeito era firme em negar a hipótese de largar o Executivo municipal para se candidatar. Ontem, pela primeira vez, vacilou. Para o PSDB, a ideia é atraente não só pela abertura de outro palanque, mas para compensar certa deficiência de Pimenta da Veiga no recall eleitoral – o ex-ministro estava afastado da vida política – e para disputar votos da região metropolitana, considerada a área mais forte do petista Fernando Pimentel. Para o PSB, a lógica é a mesma. Com um candidato de peso concorrendo ao governo de Minas, Eduardo Campos e Marina Silva abrem caminho têm um Estado estratégico onde não tem quase nenhuma entrada. Só resta saber se a ideia agrada ao prefeito. Após um mandato e meio e inúmeras crises, na avaliação de gente de dentro da prefeitura, o pior já teria passado e agora seria a hora de ele colher o resultado de obras prestes a serem concluídas, sendo a principal delas o sistema de ônibus articulas em pistas e estações exclusivas, o Move. Em outras palavras, politicamente não seria nada atraente abandonar o município e se aventurar em uma eleição desgastante e incerta apenas para agradar a Aécio e Campos. Como terceira via, segundo aliados, Lacerda não vai e permanece no comando da capital. Só sairia com muita conversa da parte de Aécio e, principalmente, com garantia de apoio total. Ou seja, sem um candidato do PSDB. Está em aberto se Aécio bancaria essa briga com Pimenta da Veiga – já com a campanha em andamento – para apostar todas as fichas em Lacerda. A decisão exigiria uma enorme mobilização de última hora, mas não estaria descartada em razão do medo de Pimenta não decolar. 

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