Mensagem de uma mãe

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salomão salviano
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Há duas semanas publiquei o texto “Um difícil julgamento”, referindo-se à grande indignação e à perplexidade reinante em relação à criminalidade, à impunidade e à falta de leis mais rigorosas para com os menores que cometem assassinatos e outros crimes considerados hediondos. Entre as tantas manifestações e e-mails recebidos dos leitores, um em particular muito me sensibilizou. Solicitei autorização para publicá-lo na íntegra neste espaço de minha coluna. Angela F., a leitora que o enviou, e seus dois filhos, desde então, fazem parte das minhas orações. Laura, sempre gostei de ler sua coluna “Vida Leve”, principalmente as crônicas sobre sua infância com seus irmãos e sobre a Pretinha (até ganhei de aniversário seu livro). Gostava de contar os casos divertidos para meus dois filhos. Nesta última crônica – “Um difícil julgamento” – você aborda realmente um tema doloroso. A violência e a impunidade. Você pede que perguntem para a mãe do jovem estudante de engenharia se ela acha que o assassinato do seu filho se resume a um ato infracional. Laura, você sabe que mãe nenhuma é preparada para enterrar seu filho. Realmente é uma dor que não tem nome, não tem explicação, não tem remédio. Quando uma mãe perde um filho, todas as outras mães sentem sua dor, porque mãe é tudo igual. Todas só querem ver seus filhos crescerem, só querem que eles sejam felizes. Mãe quer abraçar, mãe quer acalentar, quer dar colo, quer cuidar. Mãe quer proteger. Mãe quer que seus filhos voltem para casa. E não é isso que está acontecendo. Nós, mães, estamos com medo de tanta violência. Como deixar nossos filhos saírem para trabalhar, estudar, passear? Os bandidos estão nas ruas, e nós, prisioneiros em nossas casas. Menor pode matar e votar, mas pagar pelo crime, não. Nossas leis estão protegendo os bandidos. Quem protegerá nossos filhos? Quem olhará por nós? Até quando viveremos neste tormento? Eu te digo: assassinato não é ato infracional. Meu Deus, quando foi que o ser humano perdeu seu valor? Vida não tem preço. Filho é sagrado. Eu disse que gostava de comentar sobre suas crônicas com meus dois filhos, não é? Laura, é com a maior tristeza deste mundo que eu vou te dizer que agora só poderei ler para um filho, porque mataram meu filho mais velho, de 21 anos, no dia 7 de fevereiro. Eu sou a mãe do estudante de engenharia que foi covardemente assassinado naquela noite.  Nunca mais verei meu filho. Não verei mais seu sorriso. Nunca mais vou confortá-lo. Enquanto vou aprendendo a viver novamente, vou rezando. Rezo dia e noite para que Deus ilumine as autoridades competentes, fazendo que elas promovam as mudanças necessárias e urgentes para que nenhuma mãe sinta a dor de perder um filho. Tenho fé e esperança. Fique com Deus. Angela – mãe PS: Pensando melhor, vou continuar a ler suas crônicas para ele. Ele sempre gostou de uma boa história.

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