Atriz imprime tom pessoal em seus vários projetos

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

Parceria. Denise volta a encontrar Cláudia Mello em “Chorinho”
João Caldas
Parceria. Denise volta a encontrar Cláudia Mello em “Chorinho”

Denise Fraga é dessas atrizes “de sorte”. Constrói uma trajetória bem-sucedida por todos os meios onde transita. É reconhecida por seus personagens cômicos na televisão, por sua potência criativa nos trabalhos do teatro e é figurinha marcada nas produções do cinema nacional. “Eu tenho sorte de fazer projetos pessoais, mesmo na televisão, onde isso é mais difícil. Eu escolho os projetos considerando o que as pessoas precisam ouvir. Isso dá uma força interior”, destaca ela.

O encenador russo Constantin Stanislavski, conhecido no mundo todo por desenvolver um método para atores e atrizes, fala em “fé cênica”, uma espécie de crença unilateral do intérprete naquilo que faz. Ainda que Denise traga consigo uma extensa carreira de êxitos e circule livremente entre os meios, ela mantém e busca sempre a sua verdade antes de encarar um novo projeto. “Quando você lê um texto, um livro, algo que te inspire, ou recebe algum convite, esse frisson do ‘eu preciso dizer’ vai longe, porque ele te leva a realizar os projetos. O que me move é a história que estou contando”, declara.

No espetáculo “Chorinho”, que está em cartaz na cidade neste fim de semana, Denise vive uma moradora de rua. Segundo ela, um prato cheio para qualquer ator. “Esse arquétipo do mendigo sempre é muito suculento para o ator”, garante ela. Em seu reencontro com um de seus mestres, Fauzi Araqp, e com a companheira de cena, Cláudia Mello, a atriz ressalta o entusiasmo com o que espetáculo é recebido pelas plateias por onde passa. “As pessoas ficam muito emocionadas. Algumas dizem que gostariam de ter papel e caneta durante a peça para anotar o texto”.

O interesse do público pela comédia, como gênero, no entanto, é algo contraditório para a atriz. Porque se por um lado consegue uma comunicação direta com o público, pode restringir o interesse apenas por peças divertidas. “Há um risco de vivermos a ditadura da comédia. As pessoas vão ao teatro com sua postura passiva ‘me divirta, por favor!’ e não aceitam nada que seja diferente disso”, ressalta atriz.

FUTURO. Além do espetáculo, a artista vislumbra novos projetos. Sempre na trinca que caracteriza sua carreira: TV, cinema e teatro.

Confirmados estão a segunda temporada da série “Três Terezas”, no canal a cabo GNT, e o filme “Do Lado de Cá”, de Luiz Villaça, com quem é casada e já filmou “Cristina Quer Casar” e “Por Trás do Pano.

Quanto a projetos para teatro, que lhe tem rendido bons frutos (sucesso de público e boas resenhas na crítica especializada), Denise faz mistério. Diz que irá montar uma nova peça em 2015, mas não revela, ao certo, o que é. “Será um Brecht! Acho ele incrível. Como ele foi um artista que se interessou pelos cabarés, ele tinha uma máxima que é ‘divertir para comunicar’, que me interessa muito. O teatro, por ser o ritual que é, tem um poder de transformação muito grande por conta do aqui e agora. Mesmo que seja uma pessoa na plateia. Essa transformação é possível”, finaliza ela.

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