Suposto líder do tráfico e autor de dois homicídios é preso

Ele é suspeito de matar o irmão da ex-namorada e o um amigo dele por não aceitar o fim do relacionamento; além disso, ele jurou que iria fazer uma chacina e matar todos os familiares dela

iG Minas Gerais | JULIANA BAETA |

Cidades - Belo Horizonte - Minas Gerais.
Apresentacao de Davis Miranda Agostinho suspeito de duplo homicidio, no bairro Lagoa.

Foto: Uarlen Valerio / O Tempo 02.04.2014
UARLEN VALERIO / O TEMPO
Cidades - Belo Horizonte - Minas Gerais. Apresentacao de Davis Miranda Agostinho suspeito de duplo homicidio, no bairro Lagoa. Foto: Uarlen Valerio / O Tempo 02.04.2014

Apesar de ter em seu currículo uma série de indícios que apontam sua participação no mundo do crime, o líder do tráfico de drogas em Ribeirão das Neves, na região metropolitana de Belo Horizonte, não foi preso por nenhum deles, mas sim, por ter cometido um crime passional no início deste ano. Ele não aceitou o término de um relacionamento de quatro anos e jurou matar toda a família da ex-namorada, mas foi preso após matar o irmão dela e um amigo, e antes de executar o resto dos familiares.

David Miranda Augustinho, 25, o “Gigante”, que foi apresentado nesta quarta-feira (2) pela Polícia Civil,  era conhecido por ser um traficante violento na comunidade do Atalaia em Ribeirão das Neves. A quadrilha que ele comandava era denominada o “Comando”, e vizinhos relataram a polícia o medo que o bando causava na região. Apesar disso, David não tem nenhuma passagem pela prisão.

Em Ribeirão das Neves ele mantinha uma barbearia de fachada, segundo a suspeita da delegada Cristiane Angelini, já que no estabelecimento não havia produtos de beleza e o local parecia que nunca havia sido usado. David nega o envolvimento com o tráfico e alega que a renda mensal provinha de seu trabalho como barbeiro, já que ele ganhava, por mês, na barbearia, de R$ 3.800,00 a R$ 4.400.

No entanto, tanto na barbearia como em outros dois estabelecimentos mantidos pelo suspeito em Ribeirão das Neves, foram encontrados cinco tijolos grandes de maconha e mais 123 buchas da droga, 43 pinos de cocaína, 36 invólucros de crack, um revólver de calibre 38, um carregador de pistola semi-automática, embalagens para embalar drogas, cinco facões,  cinco celulares, uma espingarda de chumbinho, R$ 223,00 e a placa e peça de uma moto vermelha com características semelhantes à moto utilizada no dia do crime.

A quadrilha será investigada pela Polícia Civil.

O crime

David Augustinho namorava uma menina de 19 anos, moradora da região de Venda Nova, em Belo Horizonte. Os dois não chegaram a morar juntos, mas a garota passava mais tempo na casa dele, em Ribeirão das Neves, do que na própria casa. No entanto, ao começar a perceber a movimentação criminosa que rondava a vida do namorado, ela decidiu terminar o relacionamento, no fim do ano passado.

Inconformado, David passou a ameaçar de morte a menina e a família dela. Ele disse que iria fazer uma chacina e que todos os familiares seriam executados. A primeira vítima foi o irmão dela, o adolescente  Natanael da Silva, 16, de quem ela era muito próximo, mais do que os outros dois irmãos. O crime foi perto da casa da menina, no bairro Lagoa, em Venda Nova, no dia 14 de fevereiro deste ano. Na ocasião, Natanael conversava com dois amigos, que também foram baleados. Um deles, Abraão Ferreira, não resistiu aos ferimentos e morreu. o outro amigo, Bruno Amâncio, ficou ferido.

Com medo, a família se dissolveu e decidiu se esconder por conta própria, se mudando de Venda Nova e indo cada para um lugar diferente. Antes que os outros familiares também fossem executados a polícia passou a investigar o suspeito, com base nas denúncias de ameaças que ele fazia e nas pistas deixadas após o crime, e ele foi detido nessa terça-feira (1°).

Prisão

David nega o crime e o envolvimento com o tráfico. No momento das apreensões um adolescente de 16 anos foi apreendido, já que estava na casa do suspeito. O menor assumiu a posse das drogas e do material encontrado. As armas foram recolhidas para serem periciadas e analisadas para apurar se correspondem as cápsulas encontrados perto do corpo de Natanael no dia do crime.

O suspeito foi preso de forma preventiva por 30 dias, até que o inquérito seja iniciado. Ele foi indiciado por duplo homicídio e será investigado por tráfico de drogas. 

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