Moradores reclamam de explosões de mineradora

Copam autoriza ampliação das atividades da MIB e revalida licenças

iG Minas Gerais | Jáder Rezende |

Conceição Leonídia aponta avarias provocadas por explosões
fotos leo fontes
Conceição Leonídia aponta avarias provocadas por explosões

Alheio aos transtornos vividos por dezenas de famílias do distrito de Córrego do Feijão, em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, o Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) revalidou ontem a licença de operação da Mineração Ibirité Ltda (MIB), ampliando ainda a sua área de atuação. Além do risco de doenças respiratórias, os moradores reclamam que as atividades da mineradora vêm, aos poucos, destruindo suas casas. A ampliação pleiteada pela MIB no processo de licenciamento ambiental deverá manter o mesmo nível de produção atual, de 1,5 milhão de tonelada por ano de minério de ferro e a pilha de rejeito ocupará uma área de 2,40 hectares. Os danos provocados nos imóveis pelas vibrações das explosões constantes de dinamite foram constatados na tarde de ontem pela reportagem de O TEMPO. A casa da aposentada Maria Marques dos Santos, 57, as rachaduras saltam aos olhos. Segundo ela, todo final de tarde, os estrondos provocam a sensação de terremoto. “A gente pensa que a casa vai se partir ao meio, mas não podemos fazer nada. Somos pobres e a mineradora é poderosa”, lamenta. A cozinheira Diomar Custódio Silva, 52, é mais uma a lamentar a impotência da comunidade. Morando há 13 anos no local, hoje com três netos pequenos sob o mesmo teto, ela aponta, em cada canto de sua casa, rachaduras que se alastram pelas paredes. “Já tivemos reuniões com representantes da mineradora, mas sempre somos humilhados. Eles dizem que nossas casas são malfeitas e por isso estão nesse estado”, conta. A vigilante Francis Natália da Silva, 28, é mais uma a temer por um desabamento súbito de sua casa. “As fendas nas paredes daqui de casa passam um dedo com folga. O que tenho gastado por mês para cimentar esses buracos está desequilibrando completamente o meu orçamento”, diz. Aos 64 anos, dona Leonídia de Assis, que nasceu no lugarejo, já perdeu as esperanças de reviver os tempos em que a natureza era intocada e a paz reinava na região. “Hoje todos vivem sobressaltados, com medo de uma tragédia repentina”, afirma. Na ampliação da licença concedida à MIB, o Copam admite que os impactos negativos gerados pelo empreendimento recairão sobre o meio ambiente e os moradores da região. O documento destaca que “o povoado do Córrego do Feijão perceberá com mais intensidade os impactos dessa ampliação, por estar cerca de 300 metros ao sul do limite da nova área de lavra” e que “entre os impactos negativos previstos de serem percebidos pelos moradores deste vilarejo, decorrentes desta nova atividade, destaca-se o aumento no trânsito local, o aumento no nível de ruídos e poeira”. A reportagem não conseguiu localizar ontem nenhum representante da mineradora para falar sobre o assunto.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave