Querem que eu diga o mesmo

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Se você discordar dos milhares de chavões e lugares-comuns que são repetidos um milhão de vezes nas ruas e nos programas esportivos, vai levar uma tremenda vaia, mesmo se tiver ótimos argumentos. A vaia será ainda maior se negar algumas lendas que existem no futebol, mesmo que tenha vivido os fatos. Querem que você minta para si próprio. Um leitor me criticou porque votei em Zagallo como melhor técnico dos cem anos de história da seleção brasileira. O ótimo Telê Santana foi o escolhido. Para muitos, Zagallo não teve nenhuma importância na conquista da Copa de 1970, o que é uma grande inverdade. Depois, o critiquei várias vezes, como na Copa de 1998, por não ter evoluído. Muitos acham ainda que Zagallo é conservador, amigo do poder e chato, com seus discursos ufanistas. Concordo, mas é preciso separar as coisas. Por falar em ufanismo, é nítida a mensagem de patriotismo do ministro dos esportes Aldo Rebelo, ao publicar, com dinheiro público (patrocínio do BNDES), uma seleção de crônicas de Nelson Rodrigues exaltando o país. A tiragem foi de 50 mil exemplares, que será distribuída nas escolas e bibliotecas públicas, como mostrou Fábio Victor, em reportagem na Folha de São Paulo. Não se pode confundir o nacionalismo tolo, eventual, como o corrupto do dinheiro público, que vibra com a conquista de uma Copa, com o orgulho de pertencer à nação, de torcer pela seleção e de ser um cidadão consciente. Quem mama na teta do governo não tem liberdade de expressão. Querem ainda que eu diga que Zagallo convocou Dario porque o ditador Médici exigiu. Outra lenda. Ele chamou Dario e Roberto porque, como ocorre hoje com Felipão, preferia um típico centroavante. Eram os dois melhores. Depois, mudou de ideia. Querem ainda que eu diga que Afonsinho não foi à Copa de 1970 porque era rebelde e incomodava a ditadura. Tinha e tenho grande admiração por Afonsinho. Era também um excelente armador. Mas ficaram fora três grandes craques da posição, muito melhores: Dirceu Lopes, Ademir da Guia e Zé Carlos. Queriam ainda que eu votasse em Ronaldo no time dos sonhos. Não o fiz porque estava preocupado em colocar os jogadores em suas posições. Como já tinha, no ataque, Pelé e Garrincha, tirei cara ou coroa entre Romário e Ronaldo. Deu Romário. Querem ainda que eu concorde que o Palmeiras tem um ótimo time, que Fernandinho tem de ser reserva, porque Paulinho e Luís Gustavo jogaram muito bem a Copa das Confederações.

Libertadores

Atlético e Cruzeiro têm jogos difíceis na Libertadores. O Atlético pode até empatar. Mesmo se perder, vai decidir no Independência, embora não exista mais tanta certeza de que quem cai no Horto está morto. O Cruzeiro tem de ganhar. Há duas expectativas, teorias. Uma é que o nervosismo, a obrigação de vencer, pode ser ruim para a equipe. Outra, positiva, é de que, não podendo empatar, o time vai atacar mais e ser mais vibrante, sem ficar cozinhando o jogo, como acontece quando as equipes atuam fora e acham que o empate é bom. Cruzeiro, Atlético e todos os times brasileiros precisam se libertar do chavão de que, para ganhar a Libertadores, ainda mais fora de casa, é preciso jogar feio e pesado. 

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