Brinquedos mais aventureiros estão conquistando meninas

Psicóloga critica a feminização dos itens ‘para elas’, que são sempre rosas

iG Minas Gerais | Hilary Stout Elizabeth A. Harris |

Jogos. Meninas brincam na hora do recreio e recriam cenário de filmes que valorizam guerreiras
Gretchen Ertl / The New York Tim
Jogos. Meninas brincam na hora do recreio e recriam cenário de filmes que valorizam guerreiras

Nova York, EUA. Era uma vez, Grace Maher rodopiando pela casa em trajes de princesa da Disney, uma cena de paetês, tiaras e rosa. Ela agora tem 8 anos e abandonou tudo isso. O único rosa que sobrou está em seu novo arco e flecha.

Esse seria o seu Arco Dourado Exclusivo, Destruidor de Corações Nerf Rebelle da Hasbro, uma arma cor de petúnia com ornamentos dourados e brancos que atira dardos coloridos feitos de espuma. Esqueça Ariel, a princesa sereia. O novo exemplo de Grace é Katniss Everdeen, a caçadora/sobrevivente na trilogia do livro e do filme “Jogos Vorazes”.

As heroínas das meninas estão mudando rapidamente, e a indústria de brinquedos – e há muito peritos em faturar com os estereótipos de gênero – está lutando para não ficar para trás.

Os fabricantes de brinquedos começaram a comercializar uma linha mais competitiva de brinquedos e armas para meninas – inspirados na sucessão de heroínas guerreiras como Katniss, a Viúva Negra de “Os Vingadores”, como Merida de “Valente”, e, agora, Tris, do livro e novo filme “Divergente” – mesmo quando a indústria ainda se prende aos tons de rosa.

O resultado é uma seleção de brinquedos que, estranhamente, tanto desafiam as noções antiquadas quanto brincam com elas de forma profunda.

Os arcos das caçadoras aéreas e estilingues diferenciados, há pouco mais de um ano no mercado, são um sucesso de vendas nos Estados Unidos. Barbie, sempre linda e loira, naturalmente entrou em ação com uma boneca de Katniss autenticamente morena portando um arco e flecha. As prateleiras dos heróis de ação nas lojas de brinquedo agora exibem a figura de uma Viúva Negra (que teve Scarlett Johansson como modelo) lado a lado do novo Capitão América.

O último jogo Skylanders da Activision, o Swap Force, apresenta a Ninja Stealth Elf, a Roller Brawl e a Smolderdash, todas elas em condições iguais aos seus colegas masculinos. E Stella, uma Angry Bird feminina, em breve ganhará o seu próprio aplicativo móvel e acessórios, de forma que ela possa se produzir e se lançar ao ar para destruir as fortalezas dos porcos.

Pais. Tudo isso é o bastante para causar vertigem – particularmente nas mães – mesmo no momento da compra. Embora a separação dos brinquedos dos meninos e das meninas em corredores, divididos entre o rosa e a camuflagem, permaneça irritante, alguns também têm dúvidas se suas meninas deveriam adotar os mesmos jogos de guerra que eles toleram, meio que com apreensão, para os meninos.

“Basicamente, sou uma hipócrita total, porque é uma arma rosa, mas elas gostam de verdade, e é algo com que brincam juntas”, disse Robin Chwatko, cuja filha de 3 anos ganhou uma Nerf Rebelle há alguns meses por invejar o arco Zing do seu irmão de cinco anos.

Sharon Lamb, psicóloga infantil e ludoterapeuta que ensina psicologia de aconselhamento na Universidade de Massachusetts, em Boston, afirma que os brinquedos que estimulam a agressão fazem bem para as crianças. “Isso não torna as meninas mais agressivas, e sim permite que elas saibam que os seus impulsos agressivos são aceitáveis e que elas deveriam ter liberdade de externá-los”, disse.

Mas ela critica a feminização. “Os brinquedos precisam ter a cor rosa? Por que não podem ser rebeldes e têm de ser “re-belles” (“re-belas”)? Por que elas precisam ser atraentes quando agridem, defendem os indefesos ou combatem os vilões?”.

 

Iniciativa

Facebook. Na Zing, que começou comercializando brinquedos apenas para meninos, a ideia da sua linha Caçadora Aérea surgiu dos clientes em sites como o Facebook e o Amazon.

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