Longe de terminar

iG Minas Gerais |

Existem pautas que parecem inesgotáveis e o assunto envolvendo o trânsito é uma delas. De vez em quando, damos um tempo em nossos rotineiros comentários envolvendo os lançamentos e o respectivo impacto no mercado para abrir espaço para outros pertinentes temas que fazem parte de nosso dia a dia. Na semana passada, em consequência da publicação da segunda parte da coluna, intitulada “Conte até dez”, recebemos a manifestação da leitora Janete Gomes Oliva, que propõe uma interessante reflexão a propósito dessa abordagem. E a ela cedemos, hoje, parte da coluna, com intenção de dividir e democratizar a opinião do leitor, neste caso, leitora. “Sentada num café em Belo Horizonte, li com bastante interesse seu artigo sobre o trânsito, tido como inimigo oculto que potencializa problemas e frustrações na vida de todos nós! O trânsito é o mais novo responsável por criar uma nova modalidade de homicídio nas metrópoles no Brasil. Não sei muito de estatística, mas li que os acidentes de trânsito no Brasil matam mais que o câncer de pulmão e mama juntos (pesquisa do GMA). As pessoas levam as frustrações e desatinos do dia a dia para o volante como se aquele do seu lado fosse seu pior inimigo. Levando-nos a pensar que, naquele momento, são portadoras de um súbito transtorno psicótico, em que a pessoa, nos momentos de raiva, não consegue conter seu comportamento e acaba perdendo o controle: xinga, berra, fere o outro com qualquer objeto, atira com arma de fogo, agride e ataca fisicamente quem está a seu lado. E, logo após, passada essa ânsia assassina, a maioria se arrepende e se envergonha de tal atitude. Mas não é incomum voltar a cometer outros desatinos. Eu me pergunto: será que nada pode ser feito? Será mesmo uma praga cultural? Se o trânsito em si melhorasse, os crimes de trânsito poderiam diminuir? Talvez não! Mas quem sabe se o transporte coletivo fosse uma boa alternativa, não diminuiria o número de carros nas ruas? Mas uma certeza eu tenho: se o trânsito fosse mais cordial, principalmente por parte de quem representa o poder público (ônibus, táxis e trens), o bom exemplo poderia gerar bons resultados. Quero dizer que a Constituição Federal, em seu Artigo 30, Inciso V, estabelece como competência dos municípios organizar e prestar, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, os serviços públicos de interesse local, inclusive o de transporte coletivo, que tem caráter essencial. Em outras palavras, o Estado, por meio de contrato, atribui o exercício de um serviço público a alguém que aceita prestá-lo em nome próprio, por sua conta e risco, evidentemente. Mas, quando um motorista de ônibus fecha um cruzamento, insulta um cidadão no transito ou para fora da faixa destinada a ônibus, bloqueando a pista – o que a todo momento presenciamos chocados –, é, para mim, muito mais do que um péssimo exemplo de cidadania, pois está ali exercendo um serviço público, delegado pelo município, objetivando atender o interesse do cidadão. Ora, e mesmo prestado tal serviço por uma empresa particular, grosso modo, a responsabilidade do ente público pelo bom serviço prestado está presente, ainda que subsidiariamente. Então, naquele momento em que o serviço prestado é totalmente precário, podemos nos perguntar: o poder público se importa realmente com quem está prestando tal serviço? Fiscaliza essa prestação efetivamente? Mas, se nem mesmo o Poder Público dá exemplo de civilidade no trânsito, como amenizar essa situação? Aqui não estamos imputando aos motoristas de ônibus e táxis todas as mazelas pelo trânsito das cidades, longe disso, apenas achamos que o bom exemplo deveria vir primeiro do próprio poder público e, em cascata, espelharia o exemplo a outros motoristas que trafegam nas cidades. O bom exemplo vem de casa! Fica aí, uma ideia para um próximo artigo sobre o trânsito”.

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