Cerveja tampa buraco da energia

iG Minas Gerais |

Brasília. O governo federal publicou ontem aumento do imposto incidente sobre cervejas, refrescos, isotônicos e energéticos. A elevação da tributação já era esperada, uma vez que o próprio governo havia anunciado, na semana passada, que poderia haver reajuste.

O objetivo do Executivo é reunir recursos para evitar a alta na conta de luz em 2014. Isso porque está havendo maior uso da energia das termelétricas, que é mais cara. Recentemente, o governo decidiu destinar mais R$ 4 bilhões para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), além dos R$ 9 bilhões que já estavam no orçamento.

O aumento médio do preço final desses produtos será de 0,4%, afirmou o secretário executivo adjunto do Ministério da Fazenda, Dyogo Oliveira. Refrigerante e água mineral não estão na lista. Pelo decreto publicado ontem, a porcentagem do valor desses produtos sobre a qual são calculados os impostos vai ser ampliada em 1,5 ponto percentual.

No caso da cerveja em embalagem de vidro retornável, por exemplo, a base de cálculo dos impostos, que era de 38,3% do valor final do produto, passa a ser de 39,8%. Com a base de cálculo ampliada, maior será o recolhimento de IPI, PIS e Cofins. Na estimativa do governo, o reajuste vai gerar uma receita adicional de R$ 200 milhões.

Pode segurar. As fábricas podem decidir manter o preço congelado e absorver o aumento dos tributos para não perder vendas. Por outro lado, segundo especialistas, o aumento tende a ser repassado ao consumidor. O economista-chefe do banco Safra, Carlos Kawall, estimou um impacto entre 0,05 e 0,10 ponto na inflação decorrente do reajuste de bebidas.

Dyogo Oliveira disse que a mudança no redutor da tributação das bebidas estava prevista e o governo julgou oportuno mantê-la. “Se não fizéssemos o aumento previsto, teríamos que compensar essa arrecadação com outras medidas”, explicou. Segundo ele, a projeção de arrecadação adicional de R$ 200 milhões com a medida considera as vendas de todo o ano, inclusive na Copa.

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