Associação crê em abertura da CBV para mudanças em prol do vôlei

Entidade responsável pela modalidade deve se reunir com responsáveis para ouvir propostas de melhorias

iG Minas Gerais | DANIEL OTTONI |

Representantes de todos os clubes estiveram presentes na reunião
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Representantes de todos os clubes estiveram presentes na reunião

Uma iniciativa que já é comum em outros países, quando o assunto é vôlei, começa a ser implantada no Brasil. Em recente encontro realizado na sede da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), no Rio de Janeiro, representantes de vários clubes que disputam a Superliga estiveram juntos para debater a criação de uma associação. Os representantes dos times aproveitaram a apresentação do novo superintendente da entidade, Neuri Barbieri, para colocar em pauta a proposta de uma entidade que dê mais espaço a quem é responsável direto pelo crescimento do vôlei nacional. A proposta foi encabeçada por Vittorio Medioli, presidente do Sada Cruzeiro e Ricardo Barros, representante do Moda-Maringá-PR.

A ideia é que os clubes tenham mais voz e participem, de forma mais ativa, das decisões tomadas pela CBV em vários aspectos. "Os clubes são os verdadeiros donos do espetáculo e nunca tiveram a chance de opinar. Temos interesses em assuntos como merchandising, cotas de TV, entre outros. Os clubes podem ter muito mais acesso e a ideia é que eles tenham, efetivamente, mais conhecimento sobre as decisões, principalmente no que tange à parte financeira", destaca Luiz Eymard, diretor do Vivo-Minas.

Muito se fala sobre os benefícios que os clubes teriam caso parte da verba recebida pela CBV fosse destinada aos participantes do torneio. Segundo Audrey Souza, secretário municipal de esportes de Montes Claros, a entidade recebe, anualmente, do Banco do Brasil, cerca de R$ 127 milhões, repassando apenas R$ 178 mil aos clubes. Souza e o técnico Nery Júnior foram os representantes do Pequi Atômico no encontro.

A emissora responsável pelos direitos de transmissão também repassa quantia à CBV, que não chega aos conhecimento dos clubes. Apesar do interesse em ter uma melhor condição financeira, a ideia é fortalecer as parcerias que já existem.

"Não existe e nunca existiu qualquer disposição em confrontar com rede de televisão. Ao contrário, queremos é estreitar a parceria para o desenvolvimento dessa modalidade olímpica que tantas satisfações deu ao povo brasileiro. Pedimos a atenção dos entes públicos e dos maiores patrocinadores, convidando mais interessados a patrocinar essa louvável atividade", comenta Vittorio Medioli, presidente do Sada Cruzeiro, por meio de nota.

CBV mostra-se interessada

O presidente do Montes Claros Vôlei, Paulo Martins, acredita que existe uma abertura e interesse da CBV dialogar com os clubes. "Estamos mobilizados e unidos e acredito que a entidade está disposta a realizar as mudanças. Estamos com várias propostas e é preciso se organizar para fazer um campeonato mais bem estruturado. Uma das intenções é amenizar esse constante sentimento de 'andar em corda bamba'. Ficamos com todos os gastos e a impressão que se passa é que o mérito é todo da CBV", analisa.

Por mais que os objetivos sejam diversos, o momento ainda é embrionário. "Realizamos apenas uma reunião e não chegamos a aprofundar na essência da associação. O que ficou claro é que o modelo adotado hoje pela CBV não é mais aceito pelos clubes e é preciso fazer algo. Mudanças são necessárias e gostaríamos de ter mais autonomia e poder de decisões em alguns assuntos. Este é o princípio básico que ficou estabelecido", resume Eymard.

A ideia da associação chega em um momento onde a entidade maior do vôlei nacional está envolvida em denúncias de corrupção, vendo o nome de alguns de seus ex-dirigentes ligados à desvios de recursos milionários. "A CBV está fragilizada, assim como sua gestão. O próximo passo é a definição de um estatuto", indica o dirigente minastenista.

Após os próximos passos da parte burocrática, é esperado um novo encontro entre membros da associação e CBV. "A CBV nos pediu que não façamos nada antes de comunicá-la, justamente pelo interesse que ela tem de nos ouvir para negociar algumas melhorias. Acredito que esta reunião aconteça após a Superliga atual, até para não perder o foco desta reta final de campeonato. A atual edição está apresentando jogos de alto nível", declara Martins. Convite não foi aceito

Recentemente, Eymard foi convidado pela CBV para fazer parte de uma comissão para representar todos os clubes da Superliga. Apesar de ter se sentido lisonjeado pelo reconhecimento, o diretor do Minas não aceitou a oferta. "Fui à reunião para expressar que não considerava legítima esta comissão. Isso tinha que vir dos clubes e não me sinto um representante oficial destes. Isso teria que ser definido em uma plenária, com uma votação", mostra.