Manifestantes protestam na porta da casa de militar acusado de tortura

Objetivo do movimento é denunciar os crimes cometidos pelo policial durante o regime militar

iG Minas Gerais | JOSÉ VÍTOR CAMILO |

Manifestantes se reuniram desde às 7h na porta da casa do militar acusado de tortura
DIVULGAÇÃO / LEVANTE POPULAR DA JUVENTUDE
Manifestantes se reuniram desde às 7h na porta da casa do militar acusado de tortura

Para "celebrar" o aniversário do golpe militar de 1964, na manhã desta terça-feira (1º), militantes do movimento Levante Popular da Juventude realizaram um protesto, chamado de "escracho", na porta da casa de um militar acusado de ser torturador, no bairro Santa Lúcia, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. 

Por volta das 7h, o grupo formado por cerca de 50 pessoas se reuniu na porta da residência do coronel da Polícia Militar (PM) aposentado Pedro Ivo dos Santos Vasconcelos. Renan Santos, um dos militantes do movimento, afirma que o ex-coronel atuou no DOPS de Belo Horizonte.

Ele é apontado pelos relatórios do projeto “Brasil: Nunca Mais” como o autor de vários crimes entre os anos de 1969 e 1971. Ele é citado dezessete vezes por ex-presos políticos como autor de torturas. Em algumas passagens do livro do projeto, há passagens em que as vítimas afirmam terem sofrido choques elétricos, espancamentos, assédio moral e queimaduras.

Ainda segundo Santos, os "escrachos" são uma forma de denunciar à sociedade os crimes cometidos por militares. "Desde 2012, o movimento já realizou dezenas de movimentos semelhantes em todo o país. É uma forma de relembrar os crime que nunca puderam ser julgados, graças à Lei da Anistia de 1979, que preserva esse direito aos militares", protesta.

Por conta dos 50 anos do Golpe Militar, o movimento Levante Popular da Juventude também fez atividades parecidas nos estados do Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro e no Distrito Federal, assim como em várias cidades do interior de Minas. O movimento pede que a Comissão Nacional da Verdade apure as denúncias e também que a Lei da Anistia seja revisada, responsabilizando ex-militares por crimes como tortura e ocultação de cadáver.

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