Protesto pede troca de nome do aeroporto de Governador Valadarer

Aeroporto homenageia o coronel Antino Machado, um dos maiores grileiros da cidade e que também foi um dos líderes da milícia contra o movimento camponês da região

iG Minas Gerais | JOSÉ VÍTOR CAMILO |

Aproveitando o aniversário de 50 anos do golpe militar no Brasil, manifestantes se reúnem nesta terça-feira (1) no aeroporto Coronel Altino Machado, em Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, pedindo a troca do nome do local.

Conforme as informações de funcionários do aeroporto, o grupo de aproximadamente 30 pessoas faz uma manifestação pacífica, com faixas, cartazes e muito batuque. O protesto não está atrapalhando o embarque e desembarque dos passageiros. A Polícia Militar (PM) acompanha a manifestação.

O grupo pede a mudança do nome do aeroporto, que homenageia um dos principais líderes do golpe na região do Vale do Rio Doce. 

O coronel

Em 1964, um dos principais focos do movimento camponês estava em Governador Valadares, com Francisco Raimundo da Paixão, o Chicão, que na época era presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais da cidade. Vendo nos noticiários informações sobre os anúncios do presidente João Goulart relativos à reforma agrária, um grupo de ruralistas resolveu montar um grupo de caça aos comunistas.

Este grupo foi formado com autorização do então delegado de polícia da cidade, tenente-coronel Paulo Reis, e contava com grandes latifundiários da região, como médicos, advogados, comerciantes e delegados de polícia reformados, entre eles o coronel Altino Machado, um dos maiores grileiros da região.

Em Valadares o golpe militar praticamente aconteceu dois dias antes do restante do país. Após saberem que no dia 31 de março aconteceria um ato público para entrega aos camponeses sindicalizados de títulos de terras correspondentes à algumas fazendas, o grupo anti-comunista resolveu agir.

No dia 30 de março, os latifundiários foram para a sapataria de Chicão, onde funcionava o Sindicato dos Trabalhadores Rurais, no bairro Santa Terezinha, e descarregaram suas armas e bombas sobre os que ali se encontravam. O sapateiro foi preso, mas Pascoal de Souza Lima, que não tinha envolvimento político e era genro de um capitão, acabou morto no combate.  

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