Quadrilha faz a 'segurança', mas moradores de bairro vivem com medo

Na entrada do bairro, pichação de traficantes ameaça ladrões que atuarem no bairro de morte; apesar de poucos assaltos, moradores sentem insegurança

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Apesar das promessas de
DENILTON DIAS/O TEMPO
Apesar das promessas de "segurança", moradores vivem com medo no bairro

Quem chega ao bairro Novo Aarão Reis, na região Norte de Belo Horizonte, vê logo na entrada um muro com um anúncio para os ladrões de carro e moto que chegam na região. “O próximo que trombar a favela, vai morrer. Acabou a boa ideia. Boa sorte. Ass: O Comando”. A quadrilha, que comanda o tráfico de drogas na região, teria tomado para si a segurança da região desde que a única companhia da Polícia Militar (PM) foi desativada, há sete anos atrás. Apesar da suposta segurança dos traficantes, os moradores do bairro vivem com medo.

Após entrar em contato com vários moradores do Novo Aarão Reis, O TEMPO constatou que a grande maioria deles prefere não falar sobre o assunto, temendo represálias dos traficantes. “Você me desculpa, não é sua culpa, mas eu prefiro não falar nada sobre o assunto”, disse um dos moradores antes de desligar o telefone com pressa. Já outra pessoa que vive no bairro afirma que realmente não acontecem roubos. “A gente não pode falar muito, mas realmente não se pode roubar aqui”, disse o dono de um estabelecimento.

Segundo uma outra moradora, que não quis se identificar, o bairro não é seguro. “De dia até que é seguro, mas de noite é complicado. Realmente não tem muito furto nem assalto, tinha guerra do tráfico recentemente, mas agora está mais tranquilo. Mas, de qualquer forma, o bairro não é seguro de forma alguma”, afirma a mulher.

Já um outro morador, disse que raramente sai de casa. “A população vive com medo, nos sentimos a revelia. Não me sinto seguro e, por isso, saio pouquíssimo de casa. Tem um lugar que foi desapropriado para um obra há muito tempo e nada foi feito. Agora o local é muito usado pelo tráfico”, lembra o homem.

Sem polícia

Há sete anos, a companhia da PM que atendia ao bairro foi desativada e transferida para uma base de apoio em um posto de combustíveis, às margens da MG-020. Atualmente, a 16ª Companhia da PM é responsável pelo policiamento da região. “A polícia não dá a mínima, só vem quando tem alguma ocorrência. No resto do tempo estamos abandonados”, diz uma funcionária de uma loja do bairro.

O responsável pela comunicação social da companhia foi procurado por O TEMPO para falar sobre o assunto, porém, ainda não se manifestou sobre as denúncias dos moradores.

 

 

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