Estações e sistemas separados

Identificados separadamente, módulos que receberão linhas metropolitanas não se integram aos de BH

iG Minas Gerais | joana suarez |

Minas Shopping. Para deixar o módulo do Move metropolitano e acessar o sistema de BH, usuário terá que pegar duas passarelas
GUSTAVO BAXTER / O TEMPO
Minas Shopping. Para deixar o módulo do Move metropolitano e acessar o sistema de BH, usuário terá que pegar duas passarelas

Quem passa pelas estações de transferência do Move (nome dado ao BRT da capital) na avenida Cristiano Machado pode perceber que alguns módulos foram identificados com uma faixa laranja escrita “metropolitano”. As estações do corredor possuem dois módulos para receber as linhas do novo sistema da capital e outros dois para as linhas do Move intermunicipais. Apesar de os módulos estarem lado a lado, não há integração física nem tarifária entre os dois sistemas, que têm bilheterias separadas.

O sistema deveria ter sido pensado como um só, defende o arquiteto e urbanista Sérgio Myssior. “Outras regiões metropolitanas brasileiras que usam o mesmo sistema tarifário de Belo Horizonte já fazem essa integração. Será um grande prejuízo e transtorno para o cidadão de municípios vizinhos”, destacou.

Se o usuário quiser passar da linha metropolitana para o Move de Belo Horizonte, por exemplo, terá que pagar nova tarifa – e, em muitos casos, subir e descer duas passarelas. Em outros, será preciso utilizar apenas uma passarela, mas ainda assim não haverá conexão entre os módulos.

Na avenida Antônio Carlos – onde o Move está prevista para este mês –, os módulos metropolitanos e municipais também não são interligados, mas a distância entre eles é mais curta, porque não há passarelas. Diferentemente do que ocorre na Cristiano Machado, o Move metropolitano deve ter apenas uma cabine nas 26 estações do corredor, da Pampulha ao centro.

Em estudo. Presidente da Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans), Ramon Victor Cesar, afirmou a O TEMPO, na última semana, que a integração dos serviços está sendo estudada, mas não há previsão de data para implantação. Segundo ele, mesmo que por enquanto as estações tenham sido construídas separadas, elas podem operar de forma mista – recebendo os dois sistemas – depois.

“Agora não temos condições de fazer a integração, mas, em um segundo momento, será fácil passar de uma estação para outra. O complicado é desenvolver a tecnologia para isso. Estamos pensando em um cartão que possa ser usado nos dois sistemas e separe as receitas das empresas”, disse.

Na avaliação do especialista Myssior, a integração das tarifas é perfeitamente possível. Ele conheceu a empresa responsável pelo sistema tarifário, a central de controle de operações e testou os novos ônibus articulados. “O sistema já faz o rateio entre os coletivos da capital. Seria só incluir as empresas metropolitanas. O que falta é disposição política”, afirmou.

 

Referência

Exemplo. O modelo de BRT de Curitiba (PR), referência no sistema há 40 anos, adota o bilhete único desde 1996, possibilitado por subsídio pago por prefeitura e governo estadual.  

Entenda o sistema metropolitano

Metropolitano. A previsão é que, no fim deste mês, seja inaugurado o Move Metropolitano, que terá 14 linhas troncais partindo das estações de integração.

Das atuais 500 linhas intermunicipais que atualmente passam pelo centro da capital, 207 serão extintas. Isso vai representar cerca de 700 ônibus a menos na área central.

Estações. Neste mês, vão começar a operar as linhas alimentadoras que partem de Ribeirão das Neves, Santa Luzia e Vespasiano até às estações Vilarinho e São Gabriel. No fim de maio, as demais estações de integração vão começar a operar. Cada município terá uma estação, e a avenida Bernardo Monteiro também terá um terminal na região hospitalar. Atingidos. Segundo a Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas, mais 11 cidades serão atendidas: Caeté, Capim Branco, Confins, Jaboticatubas, Lagoa Santa, Matozinhos, Nova União, Pedro Leopoldo, São José da Lapa, Taquaraçu de Minas e Sabará.

Passagens. Não haverá bilhete único, os usuários que embarcarem nas cidades vizinhas e quiserem pegar um ônibus nas estações da capital terão de pagar duas tarifas distintas: R$ 3,50 na primeira viagem (tarifa predominante no entorno da capital) e R$ 2,65 no segundo trecho.

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