‘Ninguém no planeta ficará imune às mudanças climáticas’

Relatório divulgado mostra que os mais pobres sofrerão mais com o aumento da temperatura global

iG Minas Gerais | Flávia Denise |

Estados Unidos tiveram inverno com frio recorde neste ano
Charles Dharapak/ap - 13.2.2014
Estados Unidos tiveram inverno com frio recorde neste ano

Mudanças climáticas não são um problema para o fim do século, elas ocorrem agora, causando impactos no ambiente e afetando todos os seres humanos em todos os continentes. Porém, serão os pobres que sofrerão de forma mais direta os danos causados pelo aquecimento global, de acordo com a segunda parte do relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), divulgado ontem, em Yokohama, no Japão. Porém, de acordo com o documento de mais de 2.000 páginas sobre impactos, adaptação e vulnerabilidade às mudanças climáticas, apesar de o cenário ser negativo para todo o mundo, são os pobres quem mais sofrerá com o aumento da temperatura global, principalmente aqueles que vivem em regiões costeiras – podem sofrer com o aumento do nível do mar – ou em regiões semiáridas – onde pode ocorrer queda da produção de alimentos. O Nordeste brasileiro, inclusive, é um dos destaques do estudo, que prevê queda de 22% nas chuvas da região até 2100. Levando em conta um futuro próximo, o relatório mostra que, até 2030, o aumento das temperaturas e a falta de chuva devem afetar consideravelmente a produção de alimentos, prejudicando, principalmente, a parcela mais pobre da população. Apesar disso, Rajendra Pachauri, presidente do IPCC deixou claro que as mudanças afetarão a todos. “Ninguém nesse planeta vai ficar intocado pelos impactos da mudança climática.” O Estado de Minas Gerais também é citado. Se a previsão mais pessimista do aumento de temperatura se concretizar (5,8°C) e produtores não se prepararem, as plantações de café terão que sair de Minas e São Paulo. O estudo ainda sugere que o Sul do país pode virar produtor do grão. Como reagir à crise. Com a constatação de que o mundo já está pagando a conta pelas emissões desenfreadas de gases do efeito estufa ocorridas desde a Revolução Industrial, o relatório aponta que ainda há oportunidades para lidar com a mudança climática. Na maior parte dos casos, medidas sérias de adaptação podem fazer com que riscos que seriam de alto nível, se nada for feito, sejam médio ou baixo. No entanto, quanto mais tempo se levar para fazer isso, mais a dificuldade vai aumentar, assim como os custos. E haverá um limite além do qual talvez não haja mais o que fazer. “O problema real não é se teremos 2ºC ou 3ºC de aquecimento, mas se uma seca vai aumentar a propensão a incêndios. É uma questão de gerenciamento de risco”, disse o pesquisador americano Chris Field, co-chair do Grupo de Trabalho 2, que elaborou o texto. (com agências)

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave