PF descobre plano para unir facções e prende ‘xerifa’ no Rio

Cinco policiais de UPP são detidos pelos federais por manter rede de proteção a traficantes

iG Minas Gerais |

Transformaçao. A “xerifa” da Rocinha investia pesado na sua imagem
Reprodução Facebook
Transformaçao. A “xerifa” da Rocinha investia pesado na sua imagem

Rio de Janeiro . Nas investigações que levaram à prisão de Marcelo dos Santos das Dores, o Menor P., na quarta-feira passada, policiais federais identificaram uma movimentação consistente, indicando que o chefe do tráfico da Maré tentava juntar todas as facções do crime no Estado e, ainda, pretendia unir-se a Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, ex-chefe do tráfico na Rocinha e seu ex-rival.

A mesma investigação da PF levou, na manhã de ontem, à prisão de cinco policiais militares, um deles do setor de Inteligência da PM, todos lotados na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha, e de Danúbia de Souza Rangel, mulher de Nem. A ação foi realizada em conjunto com agentes da 1ª Delegacia de Polícia Militar Judiciária (1ª DPMJ) da PM do Rio.

Os PMs são acusados de, em troca de gordas propinas, formarem uma rede de proteção a traficantes das favelas da Maré e da Rocinha. A Maré foi ocupada no último domingo pelas forças de segurança dos governos federal e estadual, num primeiro passo para a pacificação da região.

Danúbia, que foi presa em sua residência em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, tinha como função repassar as orientações do chefe do bando para os demais membros da quadrilha na comunidade. Nem está cumprindo pena em presídio federal, também em Campo Grande.

Os quatro PMs capturados na Rocinha faziam parte do Grupo Tático de Proximidade (GTPP) – responsável por patrulhar a região em busca de armas e drogas. Um quinto PM era lotado no Serviço Reservado (P-2) da UPP da Rocinha. A operação contou com apoio da Secretaria de Segurança.

A Delegacia de Repressão a Entorpecentes da PF (DRE) do Rio, responsável pela operação, já está tomando as providências para solicitar a transferência de Danúbia para o Rio. Todos os presos responderão por tráfico de drogas e associação para o tráfico. Foram realizadas buscas nos armários dos PMs na sede da UPP Rocinha.

As prisões são uma continuação das detenções feitas desde a semana passada pela PF no Complexo da Maré, na zona norte da cidade. Segundo a polícia, Danúbia Rangel já foi investigada pela polícia do Rio por associação com o tráfico e lavagem de dinheiro. Chegou a ser presa, mas acabou liberada após ficar 12 horas detida.

Poderosa. Na Rocinha, é chamada de “xerifa” ou “dona do bairro”. Quando está na comunidade, desfila pela favela com cabelos pintados de amarelo ouro e muitas jóias. Em uma ocasião, Danúbia Rangel reservou, em nome de um laranja da quadrilha, um enxoval para a filha que tem com o traficante, no valor de R$ 5 mil. Para a PF, Danúbia Rangel repassava à quadrilha as ordens que recebia de Nem em visitas ao presídio federal. Ela deve ser transferida para o Rio de Janeiro.

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