Prefeitura de Felixlândia faz sorteio para pagar salários

Prefeito diz que escolha de quem deveria receber o 13º de 2012 foi “a forma mais democrática”

iG Minas Gerais | Guilherme Reis |

Situação dos servidores foi discutida em audiência na Assembleia
Guilherme Bergamini/ALMG - 24.3.2014
Situação dos servidores foi discutida em audiência na Assembleia

A forma encontrada pela Prefeitura de Felixlândia, a 180 km de Belo Horizonte, para quitar o 13º salário e os vencimentos de dezembro de 2012 do pessoal da educação tem gerado revolta na cidade. Passados 15 meses do prazo para a quitação dos atrasados, apenas parte dos 150 funcionários públicos da área conseguiu sacar o dinheiro. São, literalmente, poucos sortudos que tiveram os nomes escolhidos numa sessão pública que definiu, através de sorteio, quem teria direito a retirar o pagamento.

Convocados pelo prefeito Humberto Alves Campos (PSDB), em junho do ano passado, os professores se reuniram em um centro comunitário e acompanharam, um a um, os nomes serem retirados de uma caixa de papelão. Transformada em uma espécie de bingo, a escala de pagamento iria de julho a dezembro de 2013. A ordem de quem seria beneficiado dependia do lote de R$ 60 mil. Quando o valor estourava, passava-se para o lote do próximo mês.

Como se não bastasse o fato de terem que contar com a sorte para receber os salários em atraso, os professores e servidores da educação em Felixlândia foram surpreendidos, um mês após o sorteio, pela notícia de que a prefeitura suspenderia o pagamento dos agraciados de agosto a dezembro. Só receberam os sortudos do lote de julho.

Com um histórico de 32 processos por improbidade administrativa no currículo, o prefeito Humberto Alves Campos confirma a denúncia dos professores sobre a realização do sorteio. Sem dinheiro em caixa, desde que assumiu, em 2013, Alves Campos diz ter herdado uma dívida do antecessor, Marconi Antônio da Silva (PSC). Eram R$ 6 milhões em dívidas, dos quais quase R$ 2 milhões de vencimentos em atraso, segundo ele. O sorteio, justificou o prefeito, foi a forma mais “democrática” de colocar os vencimentos em dia.

Ele conta que só não prosseguiu o pagamento até o fim de 2013 porque foi alertado por seu secretariado de que o dinheiro usado para quitar os atrasados vinha do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) de 2013 e que, por isso, não poderia ser usado para debitar despesas públicas de 2012.

Aliados. As queixas contra o prefeito não cessam. O presidente do sindicato dos servidores municipais de Felixlândia, Adelmo Teixeira, denuncia que para ter os salários pagos em dia é preciso que o servidor seja aliado do prefeito. “Servidores efetivos sofrem mais. Aqueles que foram colocados pelo prefeito recebem regularmente,” criticou.

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