Em estudo com gêmeos, Nasa irá investigar efeitos do espaço

Pesquisas do tipo ajudam cientistas a entender influências ambientais

iG Minas Gerais | JOHN SCHWARTZ |

Corpo. Agência Espacial Norte-Americana, Nasa, vem estudando há anos os efeitos a longo prazo da permanência de astronautas no espaço
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Corpo. Agência Espacial Norte-Americana, Nasa, vem estudando há anos os efeitos a longo prazo da permanência de astronautas no espaço

NOVA YORK, EUA. Quando Scott Kelly voltar do espaço no ano que vem, ele fará parte do que poderá se tornar o mais importante estudo sobre gêmeos de todos os tempos.

Enquanto estiver orbitando a Terra a bordo da Estação Espacial Internacional ao longo de um ano – o maior tempo que um astronauta norte-americano já passou no espaço – e depois de seu retorno, o comandante Kelly será monitorado de perto por cientistas para ver as mudanças causadas pelo espaço em seu organismo.

A Agência Espacial Norte-Americana, Nasa, vem estudando há anos os efeitos a longo prazo da permanência de astronautas no espaço, mas essa série de dez pesquisas tem tudo para ser diferente. É que, paralelamente, os cientistas farão exatamente os mesmos testes no irmão gêmeo do comandante, Mark, um astronauta aposentado.

Esses estudos em profundidade levarão a uma compreensão mais profunda dos efeitos da vida no espaço – um tema cada vez mais importante, a medida em que a Nasa planeja missões para Marte e outros destinos longínquos, para os quais serão necessários anos de viagem.

“Eles têm uma visão de longo prazo”, afirmou Andrew Feinberg, um pesquisador da Escola de Medicina da Johns Hopkins, que faz parte do projeto. “É incrível”, completou.

Ambiente. Estudos de gêmeos constituem a ferramenta favorita dos cientistas para entender as influências ambientais. Ter em mãos a única dupla de gêmeos idênticos que já foi ao espaço como cobaias abre oportunidades para a Nasa também de conduzir estudos fisiológicos e psicológicos. O orçamento da agência para os dez estudos a serem feitos ao longo de três anos é de US$ 1,5 milhão (cerca de R$ 3,4 milhões).

Feinberg adiantou que fará uma análise completa do genoma dos dois homens para estudar qualquer efeito epigenético – ou seja, como o ambiente altera os genes e suas funções.

Mark Kelly que, como seu irmão, é um capitão da Marinha dos Estados Unidos da reserva, esteve no espaço quatro vezes, como piloto e comandante de ônibus espaciais, e fez sua última missão em 2011. Ele é casado com a ex-deputada Gabrielle Giffords – que sofreu um atentado em 2011.

Em uma visita recente ao “New York Times”, os irmãos Kelly, de 50 anos, se mostraram extremamente animados com as experiências da Nasa – propostas, inicialmente, por eles mesmos.

Brincalhões

Perfil. Em clima de descontração, Mark Kelly afirmou ser seis minutos mais velho do que seu irmão. Mas Scott foi rápido em acrescentar que ele foi o primeiro no espaço, “e serei o último”.

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