‘BR Trans’ conquista público

Montagem encenada por Silvero Pereira traz histórias de travestis e é ovacionada no Festival de Teatro de Curitiba

iG Minas Gerais |

Solo. Silvero traz à cena todas as personagens da peça – travestis e transexuais – e seus dramas
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Solo. Silvero traz à cena todas as personagens da peça – travestis e transexuais – e seus dramas

Curitiba. A 23ª edição do Festival de Teatro de Curitiba já tem ao menos um espetáculo que conquistou o boca a boca. “BR Trans”, compêndio de histórias protagonizadas por travestis e transexuais, chegou de mansinho à mostra paranaense, fez sessão calorosa no último sábado e foi aplaudido por cinco minutos em sessão lotada, no último domingo, no teatro Paiol, na capital paranaense.

Vestido de mulher e com a maquiagem toda borrada após a apresentação, o ator cearense Silvero Pereira, 32, passou 20 minutos sobre o palco dando atenção a espectadores que formaram fila para cumprimentá-lo por sua atuação. Depois de ouvir os elogios de todo mundo, ele deu entrevista à reportagem.

Pereira interpreta todos os personagens da peça que ele mesmo escreveu. O texto é resultado de diversas entrevistas realizadas durante dois meses pelas ruas de Porto Alegre e também depoimentos de detentas em um presídio da capital gaúcha. “Elas ficam em uma ala separada, junto com seus parceiros. É a ala mais arrumada e mais limpa do presídio”, afirma Pereira. O espetáculo já passou por cidades do Nordeste e do Sul do país, mas não tem previsão de estreia em outros centros, como São Paulo e Rio de Janeiro.

Cadáveres. “BR Trans” começa com algumas denúncias de violência e preconceito. Num momento agudo do espetáculo, há projeções de fotos colhidas na internet mostrando cadáveres de travestis. Mas a montagem não se restringe às tragédias. São apresentadas fugas para partes cômicas e personagens que pulam da condição de vítimas para a de algozes. “Uma coisa em comum entre as pessoas que me deram depoimento é que, à parte os dramas, elas estão sempre tentando puxar para o humor, sempre buscando um lado engraçado das coisas”, diz Pereira. Há, inclusive, no texto do espetáculo, uma breve comparação entre travestis e palhaços.

A peça investe também em momentos com atmosfera de cabaré. Durante seu solo, Pereira é acompanhado pelos músicos Rodrigo Apolinário e Caio Castelo (percussão e cordas, respectivamente). O repertório de dublagens inclui Lana Del Rey e Maria Bethânia.

Pereira vai apresentar outro espetáculo no Fringe, mostra paralela do festival curitibano. “Metrópole”, que ele faz com a Inquieta Cia. de Teatro (de Fortaleza), é um drama sobre o reencontro de dois irmãos em uma cidade grande.

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