Ameaças contra campanha 'Não mereço ser estuprada' serão investigadas

Mensagens ameaçadoras e de apologia ao estupro foram publicadas na página oficial da iniciativa; homens afirmaram que já estupraram e irão cometer novamente o ato

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Depois da divulgação de uma pesquisa feita pelo Instituto de Pesquisa e Estatística (Ipea), que revelou que 58% dos brasileiros acreditam que “se as mulheres soubessem se comportar haveria menos estupros”, a campanha 'Não mereço ser estuprada' foi criada e chegou a ser, no domingo (30), o assunto mais comentado do Twitter.

Pelas redes sociais, milhares de mulheres (e homens simpatizantes) publicaram fotos de apoio à conscientização. Na maioria das imagens, as pessoas aparecem segurando um cartaz com o nome da campanha ou com outras mensagens de repúdio ao machismo e à prática do estupro.

Apesar disso, a campanha acabou atraindo pessoas com opiniões divergentes e, inclusive, criminosos. A Polícia Federal de Brasília já investiga alguns perfis que publicaram na página da campanha mensagens ameaçadoras e de apologia ao estupro. Houve casos mais extremos, onde alguns homens postaram a própria foto afirmando que já estupraram e irão cometer novamente o ato.

Desde que foi criada, na última quinta-feira (27), a página 'Eu não quero ser estuprada' já recebeu mais de 45 mil adesões e repercutiu em jornais internacionais.

Apoio presidencial

No início da tarde desta segunda-feira (31), a presidente Dilma Rousseff se mostrou solidária, por meio de seu Twitter oficial, à criadora da campanha, a jornalista Nana Queiroz, que diz ter sido ameaçada pelas redes sociais depois da criação da página.

“A jornalista Nana Queiroz se indignou com os dados da pesquisa do Ipea sobre o machismo na nossa sociedade. Por ter se manifestado nas redes contra a cultura de violência contra a mulher, a jornalista foi ameaçada de estupro. Nana Queiroz merece toda a minha solidariedade e respeito”, escreveu Dilma.

"Eu não mereço ser... enganada pelo Ipea"

A pesquisa do Ipea também resultou em uma reação contrária. Com o intuito de ironizar a campanha criada na última semana, um outro grupo formou a página "Eu não mereço ser enganada pelo Ipea". Segundo os administradores, o instituto, na verdade, estaria fazendo pesquisas para tirar a atenção de crimes cometidos pelo governo federal.

 

A página, que conta com pouco mais de 2 mil adesões, publica imagens de mulheres com poses parecidas à da campanha original, mas com cartazes críticos ao Ipea.

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