Filha de Helena Greco é presa por fotografar cartazes de protesto

A versão da polícia, no entanto, é diferente; Heloísa Greco, 62, e outros dois ativistas estariam pichando a estátua de Duque de Caxias e agredido guardas municipais

iG Minas Gerais | JULIANA BAETA |

Heloísa Greco, filha da militante Helena Greco, foi presa na noite deste domingo enquanto fotografava cartazes de protesto na praça Duque de Caxias
Reprodução/ Facebook
Heloísa Greco, filha da militante Helena Greco, foi presa na noite deste domingo enquanto fotografava cartazes de protesto na praça Duque de Caxias

Três pessoas foram presas na noite desse domingo (30) enquanto realizavam um ato de repúdio a ditadura, que completa 50 anos desde que foi instaurada no país nesta segunda-feira (31). Os detidos foram Bruno Alcântara Soares, 38, Aluimar Brandão de Oliveira Morais, 21, e Heloísa Amélia Greco, 62, a Bizoca, ativistas da Frente Independente pela Memória Verdade e Justiça de Minas Gerais e do Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania.

De acordo com as denúncias que estão sendo compartilhadas por meio da rede social, o trio fotografava cartazes convocando para o ato de protesto contra os 50 anos do golpe militar colados próximo ao busto de Duque de Caxias, na praça de mesmo nome, no bairro Santa Tereza, região Leste da capital, quando foi abordado por guardas municipais. Segundo o texto que foi divulgado por pelo menos cinco entidades de mobilização social no Facebook, e compartilhada mais de 100 vezes, Bizoca contou que o trio foi atacado por guardas municipais e policiais militares que provavelmente já o estaria seguindo.

Bruno teria sido agredido pelos policiais e recebido choques elétricos por cerca de cinco minutos antes de ser colocado na viatura. Eles foram levados para a Central de Flagrantes, na rua Pouso Alegre, bairro Floresta.

Versão da polícia

A assessoria da Polícia Civil tem uma versão diferente dos fatos. Segundo a ocorrência, registrada pela 19º Companhia do 16º Batalhão de Polícia Militar, os ativistas estariam pichando o monumento e quando abordados por guardas municipais que estavam no local, reagiram de forma violenta. Ainda de acordo com a polícia, eles teriam agredido fisicamente os guardas municipais e por isso foram presos e levados para a delegacia.

No entanto, na própria ocorrência o delito de agressão não é citado, de forma que, oficialmente, eles foram detidos por dano ao patrimônio público, resistência à prisão e desacato. O trio passou a noite na prisão, mas foi ouvido nesta segunda-feira (31) e liberado.

O ato

Os cartazes de convocação que estavam sendo fotografados pelo trio antes da abordagem dos guardas municipais se refere a “Manifestação em Repúdio ao Golpe de 1964 - 50 anos - Abaixo a Ditadura”, marcado para esta terça-feira (1°) no elevado que até pouco tempo atrás levava o nome de um dos presidentes do regime militar, Castelo Branco. O evento, que já conta com cerca de 700 pessoas confirmadas, fará um tributo aos mortos, desaparecidos políticos, perseguidos, presos e torturados pela ditadura, e também irá reforçar a mudança do nome do elevado para Dona Heleno Greco.

Parentesco

Heloísa Greco, a Bizoca, é filha de Helena Greco, uma das primeiras vereadoras eleitas na capital e uma das mais importantes militantes contra o regime millitar. Foi a responsável pela primeira troca de nome de rua por homenagear uma pessoa comprometida com a ditadura. Na época, a rua levava o nome de Dan Mitrione, agente norte-americano que veio à Belo Horizonte e outras capitais brasileiras para treinar os policiais na aplicação de torturas, especialmente, a técnica de torturas com choques sem deixar marcas. 

A rua, localizada no bairro das Indústrias, atualmente leva o nome de José Carlos da Mata Machado, que militou pela Ação Popular e foi presidente do Diretório Acadêmico da escola de Direito da UFMG, morto após ser preso no DOI-CODI de Recife.

O elevado

O conhecido elevado Castelo Branco, que liga a avenida Pedro II à praça Raul Soares, estava sem nome desde 2012, após o decreto que o nominava, de 1971, ter sido revogado. Após um longo debate, a Câmara Municipal de Belo Horizonte aprovou, na última terça-feira (25), a alteração do nome para elevado Dona Helena Greco. Anova nomeação do viaduto depende, agora, do prefeito Marcio Lacerda (PSB), que poderá sancionar o projeto de lei. 

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