O resultado da persistência

Kesley Souza contou com ensinamentos dentro de casa para correr atrás de seus sonhos

iG Minas Gerais | DANIEL OTTONI |

Garra. Kesley destaca ensinamento dos pais para persistir, estudar e chegar ao basquete profissional
Caio Casagrande / Divulgacao
Garra. Kesley destaca ensinamento dos pais para persistir, estudar e chegar ao basquete profissional

Enquanto casos de jovens nascidos em comunidades carentes que se tornam profissionais proliferam no futebol, em esportes como o basquete, os exemplos são poucos.

Um deles vem de Kesley Souza, 22, nascido e criado no Morro do Papagaio, região Centro-Sul de Belo Horizonte. Depois de passar pela base de Mackenzie e Ginástico, o jovem de 2,02 m e 115 kg, hoje atua no Conti Cola Assis Basquete, no interior de São Paulo.

Mesmo vindo de uma comunidade carente, Kesley demonstra uma formação diferente e uma consciência madura para quem passou por dificuldades na infância humilde.

Tudo graças aos ensinamentos recebidos, desde cedo, dentro e fora de casa. “Minha mãe sempre falou comigo para estudar e meu pai insistia para eu seguir meus sonhos. Consegui um equilíbrio entre os conselhos dos dois e realizei meu sonho de ser um jogador e estudar para ter um caminho melhor na vida”, destaca Kesley, que parou no quarto ano do curso de Engenharia Ambiental, devido às dificuldades de conciliar os estudos com os treinos, jogos e viagens.

Mesmo assim, ele ainda faz o possível para satisfazer o pedido da mãe. Recentemente, fez inscrição em mais três disciplinas em uma universidade na cidade onde joga atualmente. “Ainda vou dar esse gosto pra ela. A cobrança por eu ainda não ter me formado acontece até hoje”, brinca o ala pivô.

GORDINHO. O começo no basquete se deu mais por uma questão física do que por paixão pelo esporte. O seu lado responsável também foi claro no momento de decidir a modalidade da bola laranja. “Quando eu era mais novo, era gordinho e o basquete apareceu para me ajudar a emagrecer. Na verdade, minha intenção era usar o basquete para conseguir bolsas de estudo, já que sabia que não teria condições de pagar por uma faculdade ou colégio particular”, indica.

Para Kesley, a diferença em sua vida foi a persistência, como é comum acontecer com garotos com uma realidade não tão privilegiada. “Eu saía de casa para ir aos treinos e à escola. Muitos amigos meus morreram por envolvimento com drogas e outros preferiram jogar futebol na rua, enquanto eu estava em casa estudando ou nos treinos. Isso contou muito para eu ser o que sou hoje”, destaca o jogador, que disputará a segunda divisão do Estadual paulista a partir da próxima sexta-feira.

Garoto de ouro

“O Kesley é um menino fantástico, que merece muito. Sei que o ajudei de alguma forma e fico feliz por ele ter chegado até a categoria adulta. Claro que sempre torcemos para os alunos se darem bem e ganharem dinheiro, mas vê-lo como cidadão de bem me traz uma felicidade ainda maior. Tenho essa ‘mania’ de tentar ser um paizão dos meus jogadores. Com ele, deu certo.”

Júlio Piu - ex-treinador de Kesley

Exemplo

“Consegui encontrar o equilíbrio entre as dicas da minha mãe, para estudar, e os ensinamentos do meu pai, para seguir meus sonhos.”

“A persistência fez toda a diferença para eu chegar onde cheguei. Enquanto amigos meus jogavam bola na rua, eu estava em casa estudando ou nos treinos, me dedicando.”

Kesley Souza - ala-pivô de Assis-SP

Menos saudade

Visitas. As passagens de Kesley por Belo Horizonte incluem visita ao local onde nasceu. “É uma das maiores alegrias que tenho. Meus amigos falam que me viram jogar, que estou indo bem e se orgulham de mim”, declara. Os pais, sempre que podem, viajam para a cidade onde Kesley joga para passar uns dias ao lado do filho.

Toda a diferença

“Muita gente boa passou na minha vida e me ajudou. Meu pai me levava aos treinos e insistia para eu ir atrás do sonho de ser jogador. Muitos treinadores foram fundamentais com conselhos e ações, que fizeram a diferença dentro e fora de quadra.”

Kesley Souza - ala-pivô de Assis

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